CHICO SIQUEIRA/AE
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Conclusão da venda da Eldorado esbarra em impasse

Desfecho de negócio avaliado em R$ 15 bilhões tem poucas chances desair dentro do prazo, que vence na próxima segunda-feira, 3

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2018 | 04h00

As discussões sobre a compra do controle de 100% da Eldorado, da família Batista, pelo grupo canadense Paper Excellence não devem ter um desfecho nos próximos dias, apurou o Estado. A transação, que deveria ser concluída na próxima segunda-feira, travou porque compradores e vendedores se desentendem sobre a forma de como as garantias das dívidas da holding dos donos da JBS devem ser liberadas. O processo, que corre sob sigilo, pode ser discutido em câmara de arbitragem.

Não há previsão de acordo, por ora, segundo fontes a par do assunto. Em negócio anunciado no dia 2 de setembro de 2017, a PE firmou acordo para a compra da Eldorado, por R$ 15 bilhões, incluindo dívidas.

A operação foi feita em etapas. A PE desembolsou R$ 3,8 bilhões por 49,4% de participação na companhia e se comprometeu a liberar em até um ano as garantias dadas pela J&F, holding da família Batista. A PE, que tem entre seus acionistas a família indonésia Wadjaja, dona da Asia Pulp and Paper (APP), teria se disposto a pagar o dinheiro diretamente à Eldorado.

Mas o entendimento seria da J&F e que, pelo acordo, o acertado acarretaria a liberação junto aos bancos das garantias da holding, de cerca de R$ 6,8 bilhões, além de R$ 2,3 bilhões em ações da JBS.

A PE teria alegado que, nos últimos meses, os controladores não estariam colaborando para a conclusão do negócio e estariam colocando empecilhos à operação.

Mais prazo. A família Batista teria dado à PE um prazo de 30 dias para resolver o assunto, sem revisão dos valores da transação, mas a proposta teria sido refutada. Outra opção na mesa seria estender a finalização da operação por seis meses, desde que os valores do negócio fossem revistos, uma vez que os preços internacionais da celulose e o dólar se valorizaram nos últimos meses.

Procurada, a J&F não comentou. A Paper Excellence reafirmou, em nota, que vem cumprindo as cláusulas estipuladas no contrato e reitera que está pronta para realizar o fechamento, tendo disponíveis, desde meados de julho, os recursos necessários à conclusão da transação (R$ 10,8 bilhões).

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