Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Até a poupança ganhou da Bolsa no 1º semestre

Com incertezas dentro e fora do País, dólar foi o investimento campeão do período, com alta de 17%; ouro ficou em vice

Pedro Ladislau Leite e Jéssica Alves, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 04h00

A incerteza frente às eleições de outubro, os efeitos da greve dos caminhoneiros e a guerra comercial travada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o resto do mundo fizeram a Bolsa perder todos os ganhos acumulados em abril para fechar o primeiro semestre de 2018 na lanterna das aplicações financeiras, atrás até da caderneta de poupança.

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O índice com as principais ações negociadas na B3, o Ibovespa, chegou ao fim de junho com queda de 6,07%. Até abril, o índice acumulava alta de 12,71%. A caderneta de poupança, vice-lanterna, registrou ganhos de 2,32%, também de janeiro a junho.

A aplicação campeã do período foi o dólar. A moeda americana obteve valorização de 16,96%, mais de um ponto porcentual acima do ouro, segundo melhor posicionado no ranking do semestre, com alta de 15,78%.

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O coordenador do laboratório de finanças do Insper, Michael Viriato, explica que a valorização do ouro é consequência direta da alta do dólar, já que essa commodity é negociada por meio da moeda americana. "O ouro em si teve desvalorização de quase 1% lá fora, mas, como é cotado em dólar, ele pegou carona no câmbio", explica. Na avaliação do professor, os retornos deixam claro que "não valeu a pena correr risco nesses seis meses".

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Para o segundo semestre, Viriato acredita que a tendência é de melhora nos investimentos de mais risco, como os papéis de empresas, conforme os investidores se acomodem a um cenário político mais definido (o segundo turno das eleições acontece no dia 28 de outubro). "Tivemos três meses bons seguidos por três meses ruins. Vejo essa relação se inverter no resto do ano", afirma o professor do Insper. 

Segundo o administrador de investimentos Fabio Colombo, que calculou o retorno das aplicações no período, pesou também para o resultado ruim das ações “a manutenção da taxa Selic em 6,5% ao ano”.

A decisão do Banco Central, em maio, de não diminuir a taxa básica de juros da economia quebrou uma sequência de 12 cortes consecutivos, pegando de surpresa a maior parte do mercado. A decisão afetou os papéis, já que juros menores são, em geral, benéficos para o caixa das companhias, que gastam menos para financiar suas operações.

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