Paulo Vitale
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Diversidade faz saltar de 2 para 200 número de vagas para especialistas

Dados são da startup Gupy, que comparou intervalo de janeiro a maio de 2020 e 2021; empresas passaram a destacar mais o compromisso com diversidade na divulgação das vagas

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2021 | 19h14

Empresas de todos os portes e segmentos têm se dedicado a iniciar ou aprimorar as políticas internas que estejam alinhadas com diversidade e inclusão (D&I). Essa temática integra a pauta ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), cada vez mais em alta, e estimula a busca por especialistas em D&I que conduzam essas mudanças. A demanda é expressiva e rápida: passou de 2 para 200 o número de vagas ofertadas para a área de janeiro a maio de 2020 comparado ao mesmo período deste ano.

O dado faz parte de um levantamento da Gupy, startup de tecnologia voltada para processos de recrutamento e seleção. A empresa conta com mais de mil companhias cadastradas e são abertas mais de 60 mil posições por mês. Esse aumento cem vezes superior ao volume do ano passado reforça como a diversidade e a inclusão têm aquecido o mercado de vagas para líderes. Em março, o Estadão Carreira e Empreendedorismo mostrou que, somente nos três primeiros meses de 2021, mais de 40 vagas já tinham sido publicadas para profissionais de D&I.

“Essa diferença entre 2020 e 2021 se dá porque as empresas começaram o movimento de contratar profissionais especialistas em diversidade e inclusão a partir de maio de 2020, após a onda de protestos gerada pela morte de George Floyd. Neste momento, muitas empresas passaram a compreender o seu papel como agente de mudanças na sociedade”, avalia Guilherme Dias, cofundador da Gupy.

Há uma semana, a fintech Hash contratou uma líder de diversidade e inclusão que vai passar a gerenciar todas as atividades e projetos que já vinham sendo realizados. Marcela Zaidem, head de pessoas da empresa, conta que o movimento de olhar mais profundamente para D&I ocorreu um ano atrás e percebeu-se que, sozinha, não era possível dar conta de toda a necessidade e demanda que o tema exige. Até chegar na contratação da especialista, houve um caminho de aprendizados e ações afirmativas.

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A primeira foi uma parceria com a PrograMaria a fim de aumentar o número de mulheres em tecnologia dentro da companhia, que passou de quatro para 12. Depois, buscaram a consultoria da Transcendemos para orientar estratégias no dia a dia. “Com esse trabalho, criamos um plano de ação e um comitê de diversidade que apoia, discute e pensa como garantir um ambiente seguro e inclusivo”, diz Marcela.

Outro passo que a Hash deu foi criar um programa de amadrinhamento para acolher mulheres que se candidatam às vagas, que permite a elas ter contato com profissionais da empresa.

Com as ações mais solidificadas e em expansão, a fintech percebeu a demanda por uma liderança em diversidade e inclusão. “Como é muita ação, muito programa, muita estratégia, a gente precisava que alguém concentrasse tudo isso. Do ponto de vista do dia a dia, é muito importante (ter essa liderança). É muito diferente ter uma figura que está ali no dia a dia, com foco no tema, ouvindo, trabalhando, entendendo processos.”

Busca por mais diversidade

Além de buscarem um especialista para lidar com os temas de diversidade e inclusão, as empresas também têm destacado esse compromisso na oferta de vagas. Segundo a Gupy, das 60 mil posições publicadas mensalmente na plataforma, 10% destacam D&I como um diferencial da companhia.

Dessas, 56,13% mencionam a palavra “diversidade”, 28,76% afirmam ter um ambiente inclusivo, 10,42% dizem ter um ambiente diverso e inclusivo, enquanto 4,69% colocam que valorizam a diversidade no ambiente de trabalho.

Ao mesmo tempo, há uma busca por profissionais mais diversos. Entre janeiro e começo de junho, 10% do total das vagas foram destinadas a grupos minorizados, das quais 39% destinavam-se exclusivamente a pessoas negras e 37,5%, a integrantes da comunidade LGBTQIA+.

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