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Ibovespa avança, mas com investidor de olho na reformulação do Bolsa Família; dólar sobe 0,2%

Ministro da Cidadania disse que os gastos em torno do novo programa ficarão dentro do teto, o que deu alívio momentâneo para o mercado; na máxima, dólar chegou perto de R$ 5,30

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 13h13
Atualizado 09 de agosto de 2021 | 18h28

O primeiro pregão da semana foi marcado por um forte sentimento de cautela, com o investidor no exterior precificando o avanço da variante Delta do coronavírus, mas com o mercado local atento às questões fiscais, após o governo entregar o projeto de reformulação do Bolsa Família no Congresso. Nesta segunda-feira, 9, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em alta de 0,17%, aos 123.019,38 pontos, enquanto o dólar subiu 0,21%, cotado a R$ 5,2473, após bater em R$ 5,2989 na máxima.

O alívio no mercado se deu em meio a declarações do ministro da Cidadania, João Roma, dando conta de que os gastos para a ampliação do valor do Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, têm que ser enquadrados no teto de gastos. A Medida Provisória com o novo programa e uma série de outras iniciativas foi entregue hoje à Câmara dos Deputados.

Segundo operadores, embora a definição do aumento do Bolsa tenha ficado para setembro, a percepção é a de que o governo já abandonou informalmente a pretensão de reajuste do programa para R$ 400, que tem sido manifestada há algum tempo pelo presidente Jair Bolsonaro.

Os sinais, ainda que tênues, em favor da preservação do teto de gastos, apoiaram os negócios, mas o mercado ainda permanece, porém, muito sensível à questão fiscal e monitora de perto tanto o reajuste do Bolsa Família quanto a questão dos precatórios. Em projeto apresentado hoje, o governo manteve a proposta de parcelar, em até dez anos, os débitos acima de R$ 66 mil. Especialistas e lideranças políticas já classificaram a medida como "calote".

Além disso, o governo também planeja mudar o índice de correção utilizado para calcular os precatórios para a taxa Selic (pela regra atual, parte dos precatórios são corrigidos pelo IPCA mais a remuneração da caderneta de poupança).

Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, o governo "dormiu no ponto" na questão dos precatórios e houve muito ruído em torno do reajuste do Bolsa Família para R$ 400, o que provocou estragos nos mercados. "O Brasil flerta com o abismo sempre que discute o Orçamento. Foi assim no ano passado. Mas o pior parece que está passando,", afirma Júnior "Na questão dos precatórios, vai ter que parcelar mesmo. Mas o Bolsa Família deve ficar dentro do teto e vai ter veto na questão do Refis (programa de parcelamento de dívidas)".

"Não é que a MP do novo Bolsa agradou de todo. Vai agradar na hora em que o mercado entender o valor do novo Bolsa. Na verdade, o mercado só deu uma corrigida no exagero de manhã, quando tinha estresse na Bolsa também com queda do minério e do petróleo", afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

No final do dia, os contratos de petróleo fecharam com quedas de mais de 2% no exterior, derrubando as ações de Petrobras ON e PN, em baixas de 0,93% e 0,70%, respectivamente. Vale ON cedeu 0,63%. O avanço da variante Delta da covid afetou o desempenho do mercado exterior, com Nova York fechando mista. No lado oposto do Ibovespa, JHSF caiu 2,20%, Eletrobras ON, 1,89%, e Lojas Americanas, 1,79%. No mês, o índice acumula ganho de 1,00%, colocando o do ano a 3,36%.

Câmbio

Depois de ensaiar uma arrancada até a casa de R$ 5,30 na primeira etapa de negócios, em dia marcado por valorização global da moeda americana e muita volatilidade, o dólar à vista perdeu força por aqui ao longo da tarde e chegou a tocar brevemente o terreno negativo, mas acabou encerrando os negócios em leve alta. Hoje, o dólar para setembro fechou em alta de 0,03%, de R$ 5,2495.

O sinal de que o teto de gasto será mantido ajudou a atenuar a queda do real hoje. "A taxa de câmbio ainda permanece em nível elevado, apesar de ter ficado hoje quase estável em relação a sexta-feira, porque o mercado entende que os riscos para a nossa economia ainda são muito altos com a questão fiscal", afirma a economista do Banco Ourinvest Cristiane Quartaroli.

Lá fora, o índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes - opera em alta, perto do patamar dos 93,000 pontos. As divisas emergentes também apanharam hoje do dólar, em dia de queda do petróleo e do minério de ferro, além de preocupações com a disseminação da cepa Delta do coronavírus.

Operadores de câmbio monitoraram a falta do executivo do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou hoje que a redução na compra dos ativos pode começar entre outubro e dezembro, mas ponderou que uma decisão depende do eventual impacto da variante Delta sobre a economia americana. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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