Lee Jae Won/Reuters
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Apetite por riscos cresce e Bolsa fecha com forte alta de 2,8%; dólar fica a R$ 5,38

Apesar do resultado do PIB brasileiro, sinalizações positivas vindas da Câmara e exterior favorável levaram os investidores às compras na B3

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2020 | 09h05
Atualizado 01 de setembro de 2020 | 18h20

A busca dos investidores pelo risco, em dia positivo no exterior, levou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, a fechar com forte alta de 2,82%, 102.167,65 mil pontos, apesar da queda recorde de 9,7% do PIB brasileiro nesta terça-feira, 1, mas em sintonia com o clima favorável vindo do exterior e com o comprometimento do Congresso sobre a necessidade de ajuste fiscal. O cenário também favoreceu o dólar, que encerrou com queda de 1,74%, a R$ 5,3852.

Ainda que a matéria, complexa, requeira longa tramitação, a indicação dada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que não está falando "sozinho", e de que o governo terá base no Congresso para levar adiante o que for preciso, contribuiu para recuperar os preços dos ativos brasileiros, ainda mais com a possibilidade de que a reforma administrativa seja encaminhada já nesta quinta-feira.

"O dia positivo lá fora ajudou, e ontem a queda foi exagerada aqui, com a preocupação fiscal. O posicionamento do governo sobre a reforma administrativa agradou, o que botou as ações praticamente na mesma direção hoje, em alta generalizada, à exceção das que se ajustaram à queda do dólar", observa Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante.

Também agradou ao mercado a promessa do presidente da  CâmaraRodrigo Maia, de analisar com atenção e calma a proposta do governo para ampliar o auxílio emergencial. "Devemos trabalhar essa medida provisória com todo cuidado para que a gente possa atender de fato os mais vulneráveis sem dar uma sinalização de descontrole na administração da dívida pública brasileira", disse. Nesta terça, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a prorrogação do benefício, mas com valor de R$ 300 no lugar dos R$ 600 anteriores.

"Além do plano interno, o cenário externo também ajudou com o índice industrial da China acelerando de 52,8 para 53,1 em agosto, enquanto o mercado esperava 52,5. "O resultado demonstra a força da recuperação da economia chinesa, e a melhora do lado comercial", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Nesse cenário, os ganhos foram diversificados no Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro. No setor bancário, ganharam destaque as altas de 3,10% do Bradesco On, 3,25% do Santander e de 3,40% do Itaú Unibanco. Siderurgia saltou 4,77% com Gerdau Pn e 5,02% de Usiminas. As commodities também foram beneficiadas, com a alta de 3,49% da Vale e de 4,66% da Petrobrás On - resultado que veio em sintonia com os contratos futuros de petróleo: hoje, o WTI para outubro teve alta de 0,35%, a US$ 42,76 o barril, enquanto o Brent para novembro subiu 0,66%, a US$ 45,58 o barril.

Com os resultados de hoje, a Bolsa acumula perda de 11,65% no ano, em leve alta de 0,02% no agregado da semana.

Câmbio

A promessa do governo de avançar com reformas estruturais e cumprir o teto de gastos ajudou o real a ter o melhor desempenho hoje ante o dólar no mercado internacional, considerando uma cesta de 34 moedas mais líquidas. A divisa americana também recuou nos emergentes, em meio ao bom resultado do índice de atividade industrial da economia dos EUA.

Após encostar em R$ 5,50 ontem, o dólar operou em queda toda a terça, para encerrar os negócios no menor nível desde 6 de agosto. Na mínima do dia, operou na casa dos R$ 5,33. Em meio às promessas do governo de reformas, o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, caiu no final da tarde de hoje para a casa dos 202 pontos, após bater em 217 pontos, de acordo com cotações da IHS Markit.

"O avanço da reforma administrativa, definição do auxílio emergencial e dados mostrando recuperação da atividade tanto na China como nos Estados Unidos acabam alimentando o apetite ao risco", afirma o economista da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

Bolsas do exterior

Os mercados acionários de Nova York ganharam mais força à tarde, o que levou os índices S&P 500 e Nasdaq a novos recordes históricos de fechamento. Hoje, o Dow Jones fechou em alta de 0,76%, o S&P 500 subiu 0,75% e o Nasdaq avançou 1,39%. Por lá, ajudou a fala do secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, que defendeu mais estímulos fiscais e um acordo bipartidário com essa finalidade. Além disso, colaborou para a alta dos índices a alta das gigantes de tecnologia: Apple subiu 3,98%, Amazon ganhou 1,40%, Netflix teve alta de 5,10% e Alphabet, de 1,57%. 

Na Ásia, foi a melhora do setor industrial chinês que sustentou a alta dos índices. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 0,44% e 0,67% cada, enquanto o Hang Seng teve ligeiro ganho de 0,03% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi subiu 1,01% e o Taiex avançou 0,89% em Taiwan. Já o japonês Nikkei teve baixa marginal de 0,01% e a Bolsa australiana caiu 1,77%.

Já na Europa os resultados não foram tão favoráveis, após a queda de 51,8 para 51,7 entre julho e agosto do PMI industrial da zona do euro. Por lá, a taxa de desemprego ainda se elevou a 7,9% em julho, enquanto o índice de confiança do consumidor caiu 0,2% em agosto - com isso, o Stoxx 600 encerrou em queda de 0,35%. A Bolsa de Londres caiu 1,70% e a de Paris recuou 0,18%, mas a de Frankfurt ainda subiu 0,22%. Milão e Madri tiveram baixas de 0,20% e 0,18% cada. Já Lisboa também teve alta de 0,14%./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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