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Com resultado fraco dos setores no primeiro trimestre, analistas já reveem projeções do PIB para 2019 Estadão

PIB tem queda de 0,2% no 1º trimestre, diz IBGE

Foi a primeira retração na atividade econômica do País desde o quarto trimestre de 2016, quando o Brasil ainda estava em recessão

Daniela Amorim, Denise Luna e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 09h02

RIO - Em meio à incerteza política e econômica, o Brasil começou o ano com a economia em retração, com queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2018. Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a primeira retração na atividade econômica desde o quarto trimestre de 2016, quando a economia atingiu o fundo do poço, antes de sair da recessão, a partir do início de 2017, conforme definição do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), abrigado na Fundação Getulio Vargas (FGV).

A retração do PIB reforça a lentidão da recuperação da economia, ainda longe do nível de antes da recessão, iniciada no segundo trimestre de 2014. Em 2017 e 2018, o PIB avançou 1,1% em cada ano, insuficiente para recuperar o tombo de 8,1% no acumulado de 11 trimestres de recessão.

O desempenho do PIB do primeiro trimestre veio em linha com as projeções de analistas, que, na mediana, esperavam retração de 0,2% frente ao quarto trimestre de 2018, conforme pesquisa do Projeções Broadcast com 50 instituições do mercado - o intervalo vai de retração de 1,0% a expansão de 0,37%  .

Como o PIB cresceu apenas 0,1% nos três últimos meses de 2018, em relação ao trimestre imediatamente anterior, está confirmado um quadro de paralisia na economia. Esse quadro contamina as projeções para o crescimento econômico de 2019, que começaram o ano na casa de 2,5% e foram sendo revistas para baixo até atingir 1,23%, em média, segundo a edição divulgada na última segunda-feira do Boletim Focus, pesquisa do Banco Central (BC) com analistas de todo o País.

Entre economistas, a elevada incerteza quanto aos rumos da economia, com destaque para a falta de definição sobre a reforma da Previdência, é o motivo mais citado para a freada no PIB, ao lado de choques negativos que atingiram a economia no fim do ano passado e no início de 2019, como a crise econômica na Argentina e o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho (MG).

Investimentos em queda

Na economia real, a paralisia se materializa na suspensão de projetos de investimento, ao mesmo tempo em que os governos, em crise fiscal, cortam os investimentos públicos. Por isso, a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do total dos investimentos no PIB) se contraiu em 1,7% no primeiro trimestre ante o quarto trimestre de 2018, a segunda queda seguida.

“Há evidência, não só para o Brasil, mas também lá fora, de que a incerteza econômica atrapalha muito o investimento”, disse ao Estado, na semana passada, a economista Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

Para o economista-chefe do banco UBS Brasil e ex-diretor do BC, Tony Volpon, a economia brasileira ainda enfrenta uma “recessão de investimentos”, pois, para os projetos saírem do papel, é preciso que os investidores tenham previsibilidade nos cenários econômicos.

“Se você começar a levantar um prédio e quiser parar no meio do caminho, você vai perder muito dinheiro. O investimento só vai subir se tiver, primeiro, um nível aceitável de estabilidade no cenário e um horizonte de estabilidade”, afirmou Volpon, em entrevista ao Estadão/Broadcast, na segunda-feira.

O problema é que as incertezas em relação aos rumos das reformas econômicas, especialmente as que dependem de aprovação no Congresso Nacional, inviabilizam esse “horizonte de estabilidade”.


“No início do ano, até pela reação positiva que os mercados financeiros tiveram ao resultado eleitoral, se esperava um andamento tranquilo das reformas, de tal maneira que abriria esse horizonte de estabilidade e haveria volta dos investimentos. É isso que de fato não ocorreu até este momento”, disse Volpon.

Para piorar o quadro, os choques negativos atrapalharam. De um lado, o agravamento da crise econômica na Argentina desde o segundo semestre do ano passado minou a demanda externa da indústria manufatureira, com destaque para a automotiva.

Indústria encolhe

O PIB da indústria de transformação, que já havia encolhido 0,9% no quarto trimestre de 2018, teve queda de 0,5% nos três primeiros meses de 2019, na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

De outro lado, o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho (MG), em janeiro, atingiu em cheio a indústria extrativa, cujo PIB tombou 6,3% no primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2018. A queda interrompeu uma sequência de quatro altas na indústria extrativa, sempre na comparação com os trimestres imediatamente anteriores.

Com esses choques, o PIB da indústria como um todo teve queda de 0,7%. Em relação ao primeiro trimestre de 2018, houve queda de 1,1%.

Nas contas dos economistas do Ibre/FGV, os choques da crise argentina e das paradas de produção de Vale em Minas Gerais tiraram 0,2 ponto porcentual do PIB na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro deste ano.

“Enquanto Brumadinho pesou sobre a produção industrial do País, a desaceleração na Argentina afeta negativamente nossas exportações. Praticamente 90% das exportações da indústria brasileira têm como destino a Argentina. Foram eventos atípicos, mas com peso relevante”, disse, na terça-feira, o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal. / Colaboraram Caio Rinaldi e Thaís Barcellos

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Com baixo crescimento em 2018, País já começou 2019 sem fôlego

Segundo pesquisadora do Ibre/FGV, até por razões estatísticas, governo não deve ter bons resultados na economia este ano, mesmo se atividade acelerar no segundo semestre

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 08h51

RIO - Com a paralisia no fim de 2018 e no início de 2019, a tendência é que este seja um ano perdido para a economia. Até mesmo por razões estatísticas, mesmo que a atividade se acelere no segundo semestre, o mais provável é que o governo Jair Bolsonaro não tenha um bom número de crescimento econômico para apresentar em seu primeiro ano de governo.

Segundo Juliana Cunha, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o baixo crescimento no quatro trimestre de 2018 (alta de apenas 0,1% ante o terceiro trimestre) reduziu o “carregamento estatístico” do ano passado para o atual.

Isso quer dizer que, se o nível do Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os produtos e serviços produzido no País) do encerramento de 2018 fosse repetido em cada trimestre de 2019, sem variação, a média da atividade econômica deste ano ficaria pouco acima da do ano anterior.

Em 2017, a economia foi acelerando trimestre a trimestre, lembrou Juliana. Em 2018, ocorreu o contrário. A atividade começou mais forte e, principalmente a partir da greve dos caminhoneiros, em maio, perdeu força. Dessa forma, começou 2019 sem fôlego.

Como os primeiros dados antecedentes da atividade, como a maioria dos indicadores de confiança, seguiram ruins em abril e maio, uma aceleração da economia ficaria para o segundo semestre.

Só que, chegar ao fim do ano mais acelerada não bastaria para a economia fechar, na média do ano, muito acima de 2018, mesmo que empresários e consumidores já vejam “as coisas acontecendo” no terceiro e no quarto trimestres. “As taxas dos trimestres poderão estar boas, mas (variação) do ano carregará o desempenho ruim do início do ano”, explicou Juliana.

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Consumo das famílias cresce 0,3% em comparação com final de 2018

Inflação mais alta que no ano passado e confiança do consumidor em níveis baixos afetaram resultado, apontou o IBGE na divulgação do PIB

Daniela Amorim, Denise Luna e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 10h48

RIO - O consumo das famílias subiu 0,3% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao quarto trimestre de 2018, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quinta-feira, 30, os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) no País. 

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o consumo das famílias teve alta de 1,3%. Segundo Claudia Dionisio, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do instituto, o consumo das famílias está crescendo, mas em ritmo menor do que em anos anteriores.

Ela destaca que alguns fatores que afetaram esse resultado foram a inflação, que está em patamar superior ao de 2018, os indicadores de renda, ainda não favoráveis, e os índices de confiança de consumidores, em níveis baixos.

O consumo do governo, por sua vez, subiu 0,4% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao quarto trimestre de 2018. Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o consumo do governo mostrou alta de 0,1%.

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Rompimento de barragem em Brumadinho afetou desempenho da indústria no 1º trimestre

PIB da indústria teve o pior resultado desde o quarto de trimestre de 2016, quando houve recuo de 1,8% frente ao terceiro trimestre daquele ano

Daniela Amorim, Denise Luna e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 10h44

RIO - Influenciado pelo rompimento da barragem de rejeitos de mineração da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), o Produto Interno Bruto (PIB) da indústria caiu 0,7% no primeiro trimestre de 2019 ante o quarto trimestre do ano passado. O desempenho foi o pior desde o quarto de trimestre de 2016, quando houve recuo de 1,8% frente ao terceiro trimestre daquele ano. Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O destaque negativo do primeiro trimestre deste ano foi a indústria extrativa, atingida diretamente pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale em janeiro. O PIB da indústria extrativa encolheu 6,3% na passagem do quarto trimestre de 2018 para os três primeiros meses de 2019.

Foi o pior desempenho nessa ótica de comparação desde o quarto trimestre de 2008. Naquela ocasião, auge da crise financeira internacional que eclodiu em setembro de 2008, o PIB da indústria extrativa recuou os mesmos 6,3% ante o terceiro trimestre daquele ano.

"Nas extrativas, a queda foi muito influenciada pelo minério de ferro", apontou Claudia Dionisio, gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE. "Além de Brumadinho, outras barragens foram paralisadas, até mesmo por decisões judiciais. Atrelado a isso, a extração de petróleo e gás foi negativa. Menos negativa (que a extração de minério), mas certamente contribuiu".

Entre os segmentos industriais, a indústria de transformação também recuou na passagem do quarto trimestre de 2018 para o primeiro trimestre de 2019, com queda de 0,5%, afetando ainda atividades de serviços. "Transporte e comércio são atividades correlacionadas com o desempenho da (indústria de) transformação", lembrou Claudia. Segundo ela, a crise na Argentina impactou negativamente o desempenho da indústria de transformação.

O desempenho geral do PIB industrial só não foi ainda mais baixo porque a produção e a distribuição de eletricidade, gás e água avançou 4,7% no primeiro trimestre de 2019 ante o primeiro trimestre do ano passado.

A construção recuou 2,0% no período, enquanto o setor de transporte e armazenamento encolheu 0,6%. Já o comércio, teve ligeiro recuo de 0,1%.

O PIB industrial foi o principal responsável pela queda de 0,2% no PIB brasileiro no primeiro trimestre, pela ótica da oferta. Sob a ótica da demanda, foi a retração de 1,7% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos do PIB). "É um conjunto de coisas, confiança, cenário macroeconômico...", justificou Claudia.

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Brasil pode estar caminhando para nova recessão, dizem analistas

Mesmo com forte influência de fatores temporários no PIB do 1º trimestre, economistas dizem que há sinais de que atividade deve continuar fraca no 2º trimestre

Altamiro Silva Júnior, Caio Rinaldi e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 11h22

A queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre teve forte influência de fatores temporários, como a redução na produção de minério de ferro após a tragédia da barragem da Vale em Brumadinho (MG). Mas os sinais iniciais são de que a atividade deve seguir fraca no segundo trimestre do ano e o PIB pode vir novamente negativo, na avaliação da consultoria inglesa Capital Economics. Com isso, o Brasil entraria oficialmente em uma nova recessão (que se configura quando há dois trimestres seguidos de desempenho negativo).

“Há um crescente risco de que a economia se contraia novamente no trimestre atual”, disse William Jackson, economista para a América Latina da Capital Economics. “Existe, agora, um risco real de que a economia entre em recessão técnica”, destacou em relatório, observando os fracos números do investimento privado e a queda das exportações no período.

O economista prevê expansão de 1,5% para o PIB do Brasil em 2019, mas vê chance alta de o número ter de ser revisto para baixo. E este ambiente de baixo crescimento, segundo Jackson, pode trazer cortes de juros para a agenda do Banco Central.

A economista Giulia Coelho, da 4E Consultoria,  disse que a queda de 0,2% do PIB no primeiro trimestre é indício de estagnação tanto pelo lado da oferta, quanto pelo lado da demanda. “É difícil afirmar se vai retomar no segundo trimestre, temos muita incerteza no cenário.”

O resultado no primeiro trimestre veio em linha com as expectativas da 4E, disse a economista. Por isso, a consultoria mantém sua estimativa de alta de 1,0% do PIB em 2019. “A perspectiva é de que, com a reforma da Previdência, a economia volte a crescer a uma taxa em torno de 0,5% por trimestre, na margem, até o final do ano.”

Por outro lado, havendo uma frustração com a economia da reforma, ou até mesmo não aprovação, o PIB recebe um viés de baixa, declarou a economista da 4E.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim, a queda do PIB respondeu a um cenário externo mais adverso, com a desaceleração da economia na China e a recessão na Argentina, à renda mais fraca das famílias, por causa da aceleração da inflação no início do ano, e também a choques, como a redução da produção da Vale após a tragédia de Brumadinho (MG), e ao aumento da incerteza.

Ele disse não ver, porém, um cenário de recessão no Brasil e que a perspectiva é que a retomada lenta da economia siga seu curso. "O PIB negativo afetou e afeta a confiança, mas é um processo temporário." Para o segundo trimestre, o economista afirma que a expectativa é de que o PIB fique entre estável e levemente positivo.

No segundo semestre, a retomada se aceleraria, no cenário de Padovani, justamente porque vê um maior efeito da reversão da desaceleração econômica da China e também a diluição das incertezas, com a aprovação da reforma da Previdência.

O Banco Votorantim prevê que a reforma será aprovada em primeiro turno na Câmara antes do recesso parlamentar, com uma economia fiscal em dez anos de cerca de R$ 700 bilhões.

Padovani completa que o País só não continuaria em retomada caso haja novos choques negativos, como uma nova desaceleração da economia chinesa ou a não aprovação da reforma da Previdência ou uma aprovação de uma reforma fraca, coisas que não estão no cenário do Banco Votorantim.

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Guedes diz que retração não é novidade e economia está estagnada à espera das reformas

Ministro da Economia afirmou que o governo já contava com os resultados do PIB do primeiro trimestre; recuo foi de 0,2% em relação aos três meses de 2018

Lorenna Rodrigues e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 11h41

BRASÍLIA - Depois da divulgação do recuo de 0,2% do PIB no primeiro trimestre, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira, 30, que a reação da economia só virá com a aprovação da reforma da Previdência.

"A retração não é novidade para nós, sempre dissemos que a economia brasileira está estagnada. O modelo intervencionista derrubou a taxa de crescimento no Brasil. A economia está parada à espera das reformas", afirmou. "Estamos absolutamente seguros de que, fazendo reformas estruturais, o Brasil vai retomar o crescimento sustentável."

O ministro negou que tenham faltado ao governo ações para estimular a economia e disse que o crescimento deverá vir a partir do próximo trimestre, com a aprovação da reforma da Previdência. "O próximo trimestre já deve começar a ser positivo, já deve ter alguma reforma. De julho em diante, o Brasil começa a decolar", afirmou. 

Ele disse também que não houve problema de comunicação por parte do governo e frisou que não há reação econômica sem a reforma da Previdência. "O presidente Jair Bolsonaro mandou as duas principais reformas Previdência e pacote anti-crime em menos de quatro meses. Não faltaram ações do governo, estamos trabalhando freneticamente. Não faltou comunicação do governo, faltou aprovar reformas", concluiu. 

A economia estagnada no primeiro trimestre, segundo ele, já era um resultado esperado pelo governo quando a projeção do crescimento da economia foi revista para 1,6% neste ano. "Estamos confiantes de que a retomada vem aí. Nós precisamos das reformas exatamente para retomar o crescimento. A Previdência é a primeira delas, e vai dar um horizonte de estabilidade fiscal de 15, 20 anos", completou. 

 

Guedes acrescentou que é preciso começar pelas "coisas mais importantes", por isso o foco na reforma e não em outras medidas. "Voo de galinha já fizemos várias vezes, faz uma liberação aqui, baixa artificialmente os juros para reativar a economia. Foi assim que o último governo caiu", alfinetou. "Não vamos fazer truques nem mágicas, vamos fazer reformas sérias". 

O ministro listou ainda medidas que, segundo ele, serão adotadas após as mudanças previdenciárias, como a reforma tributária e o que ele chama de "choque de energia barata", com mudanças para o setor, e mudanças na distribuição de recursos entre Estados e municípios.

"O Brasil deveria estar crescendo de 3% a 3,5% ao ano e simplesmente a economia colapsou. Houve um otimismo em relação ao primeiro ano de governo por conta da potência da plataforma liberal. O sonho do crescimento está ao alcance das nossas mãos, basta (fazer as) reformas", acrescentou. 

Juros 

Sobre a possibilidade de baixar os juros para estimular a atividade, Guedes afirmou que o Banco Central só poderá fazer isso se o regime fiscal estiver de pé. "Com a reforma, os juros de mercado vão cair e o Banco Central vai sancionar juros mais baixos", disse ao ser questionado sobre a possibilidade de redução na Selic. 

Ele frisou que, "de medidas de estímulo em medidas de estímulo" o Brasil se tornou um país que não cresce e disse que não tem pressa para fazer a coisa errada. "Quero fazer a coisa certa". 

Novo 

Guedes deu declarações após se reunir com parlamentares do Partido Novo, que reafirmaram o apoio à reforma da Previdência. "Queremos a reforma que o governo propôs, com impacto de R$1 trilhão", disse o líder do partido na Câmara dos Deputados, Marcel Van Hattem (RS)

O ministro ressaltou o apoio do Novo e disse que é natural os poderes terem desentendimentos pontuais, mas que se mantêm harmônicos. Ele frisou a importância dos partidos de centro para a aliança de "centro-direita" do governo e minimizou as dificuldades do partido do presidente. "O PSL está chegando agora, é natural que tenha dificuldades. Tenho certeza que o PSL convergirá para votação em bloco", afirmou. 

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Construção civil recua 2,0% no primeiro trimestre, aponta IBGE

Nos três primeiros meses do ano, Produto Interno Bruto (PIB) tem queda de 0,2%, com incertezas políticas e econômicas, que têm adiado recuperação

Douglas Gavras , O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 10h53

A construção civil recuou 2,0% no primeiro trimestre do ano, na comparação com o quarto trimestre do ano passado, apontam os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Produto Interno Bruto (PIB) na manhã desta quinta-feira, 30. Com as incertezas políticas e econômicas, os três primeiros meses do ano foram de retração de 0,2% no PIB. Essa foi a primeira queda na atividade econômica desde o quarto trimestre de 2016.   

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a queda da construção foi a maior desde o primeiro trimestre do ano passado, quando o setor recuou 2,4% em relação ao três últimos meses de 2017. Na base acumulada em quatro trimestres, são 19 quedas consecutivas.

"A situação da construção civil preocupa, por ser um setor que emprega um grande número de pessoas, que hoje estão fora do mercado consumidor. Mas o avanço nas vendas de imóveis no primeiro trimestre no começo do ano mostra que a demanda por imóveis existe e se manifesta mesmo em um ambiente em que o consumidor e o empresário ainda não se sentem completamente seguros", diz Luiz Antonio França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias). 

"Apesar de os resultados do primeiro trimestre terem vindo abaixo do que se imaginava no início do ano, a expectativa para os próximos meses continua positiva, caso se consiga avançar nas reformas."

Para o gerente executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco, o setor foi o primeiro a sentir a recessão e deve ser o último a se recuperar. "A construção acabou afetada pela infraestrutura - que sofreu com a crise fiscal e espera avanços nas concessões - e, no setor imobiliário, pesa a redução de projetos para famílias de baixa renda."

Ele lembra que o setor imobiliário teve resultados positivos no primeiro trimestre, mas partindo de uma base fraca e abaixo das expectativas que o setor tinha no início do ano.

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, analisa que o descompasso nas relações entre Executivo e Legislativo corroeram as expectativas que os empresários e consumidores tinham no começo do ano e ajudaram a postergar o reaquecimento da economia. "Quando a gente olha os indicadores da economia, a análise é preocupante, com queda na indústria e estagnação nos serviços e no consumo das famílias", disse.

"Por mais que o mundo esteja lidando com uma guerra comercial entre China e Estados Unidos e o comércio internacional esteja ameaçado, o problema hoje do Brasil é interno. A condução da principal bandeira do governo, que a reforma da Previdência, teve um ritmo de avanço abaixo do esperado. O adiamento das principais votações para a segunda metade do ano criou um clima de cautela do setor produtivo. Assim, fica difícil de destravar investimentos."

A queda na construção está diretamente ligada ao desempenho ruim do mercado de trabalho, avalia o presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (Cbic), José Carlos Martins. "É urgente a votação da reforma da Previdência para que o investimento volte. Só o setor da construção pode alavancar o investimento e será o grande motor do crescimento sustentado do País." Ele lembra que a indústria da construção já perdeu mais de 1 milhão de trabalhadores por conta da crise.

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'O investimento segue catastrófico para um País do tamanho do Brasil'

Para pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, nos Estados Unidos, PIB do primeiro trimestre demonstra como a economia brasileira perdeu dinamismo; na avaliação dela, há risco de o País voltar a ter recessão

Entrevista com

Monica De Bolle, economista

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 14h46

A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, em Washington (EUA), viu nos números divulgados nesta quinta-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) uma demonstração de como a economia brasileira perdeu dinamismo - de janeiro a março, o Produto Interno Bruto (PIB) do País recuou 0,2%. Na avaliação dela, o País está sem rumo e sem perspectivas de curto prazo.

Para piorar, a economista não vê no governo pessoas com “imaginação” suficiente para tirar o País dessa trajetória de paralisia. Para ela, não há motor de crescimento pelo lado da oferta, pelo lado do serviço e pela indústria. E, para piorar, diz, o "investimento segue absolutamente catastrófico para um País do tamanho do Brasil".

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Qual a sua avaliação sobre o resultado do PIB no primeiro trimestre?

Foi horrível. É claro que tivemos os efeitos da tragédia de Brumadinho e a crise na Argentina, mas isso não explica tudo o que vimos no primeiro trimestre. Vejo algumas coisas importantes: uma delas é que, desde que o Brasil saiu da recessão (no início de 2017), parece que as forças de crescimento estão completamente emperradas, não por motivos de curto prazo ou que possam ser resolvidas rapidamente. Elas estão emperradas por razões estruturais muito sérias.

Quais razões são essas?

O Brasil está com uma cara de economia que perdeu completamente o dinamismo. Vemos isso olhando os resultados de agora e também os anteriores.  Temos uma indústria que não tem dinamismo nenhum, já estamos vendo isso há 20 anos, mas se agravou continuamente até chegar no ponto atual; o setor de serviços é dependente da capacidade de consumo das pessoas; e o consumo das famílias está num ritmo de expansão muito fraco desde a saída da recessão. De um lado porque o desemprego está muito alto e de outro por causa das incertezas causadas exatamente pela falta de emprego e pelas discussões sem rumo econômico do País. A renda real está crescendo num nível muito baixo e os empregos criados, inclusive por causa da reforma trabalhista, têm sido muito precários, em que as pessoas não têm segurança. Tudo isso conspira para tornar o consumo das famílias fraco. Portanto, não há motor de crescimento pelo lado da oferta, pelo lado do serviço e pela indústria.

E os investimentos também continuam caindo.

O investimento segue absolutamente catastrófico para um País do tamanho do Brasil, o que sinaliza exatamente as fragilidades estruturais sobre as quais eu comentei. Investimento é uma coisa que não depende das variáveis de curto prazo. Ele reflete as perspectivas futuras de como as empresas estão vendo o futuro do País. Já tivemos ocasiões em que, mesmo com o quadro econômico ruim, o investimento não caiu tanto quanto agora e até reagiu porque havia uma perspectiva de melhoria futura. Não tem sido o caso dos últimos três anos. Quando a gente olha para trajetória dos investimentos tem sido sistematicamente fraca porque existe essa visão do setor produtivo brasileiro de que falta dinamismo para que as empresas tenham vontade investir e aumentar a capacidade produtiva. Isso reforça o quadro de demanda reprimida.

E quais medidas o governo precisa tomar?

O problema é que no momento não há espaço para tomar medidas anticíclicas nem para dar respiro de curto prazo. O investimento público caiu loucamente. Mas acho que tem algo do qual tem se falado pouco no tempos que é o papel do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No passado, sempre que a economia não estava indo bem, as empresas podiam contar com certo auxílio do BNDES. Não estou falando de crédito do BNDES nos moldes da Dilma (Rousseff), mas a nossa realidade é que o sistema para funcionar ainda é muito dependente do BNDES. E o BNDES está fazendo exatamente o contrário e segurando o crédito. Então tem um nó aqui que é: vamos fazer o que com o BNDES, que papel ele terá na economia brasileira. Enquanto isso não é respondido, as empresas ficam a ver navios porque os bancos privados só concedem crédito a taxas extremamente elevadas. Tem um problema aí que ninguém consegue explicar. Por que os bancos só concedem a taxas elevadas? Se não tem crédito circulando, não tem como ter investimento.

O desempenho do agronegócio também não ajudou no primeiro trimestre. Isso pode prejudicar o crescimento do ano?

A agropecuária foi o único motor de crescimento da economia brasileira nos últimos três anos. Em 2017 e 2018 foi muito forte porque teve uma supersafra. Neste ano, não tivemos uma supersafra e não tivemos crescimento do PIB no primeiro trimestre. Sem isso, o resto do ano fica muito fragilizado porque o segundo e o terceiro trimestres são mais fracos e vão estar contaminados por essa discussão em torno da reforma da Previdência e, no quarto trimestre, já estaremos entrando num clima de ano eleitoral – em 2020 teremos eleições municipais. O quadro é muito ruim.

Há risco de nova recessão?

Não está descartado. Há risco de nova recessão. Acho que o cenário por enquanto é de crescimento próximo ao de 2017 e 2018, de 1%. Mas estou começando a duvidar desse crescimento exatamente porque em 2017 e 2018 o resultado, de crescimento de 1,1% foi decorrente da reação do agronegócio no primeiro trimestre e neste ano não tivemos isso. Só mesmo se a gente acreditar que a reforma da Previdência vai ter algum impacto extraordinário sobre a expectativa, o que eu duvido. Porque a reforma da Previdência vai demorar para passar e isso não tem efeito no curto prazo. Para mim, acho que o cenário de crescimento é abaixo de 1%.

A reforma da Previdência não tem capacidade de trazer novos investimento? Há quem diga que há investimentos represados esperando a reforma passar.

Não acredito em nada disso. Para mim, é realismo mágico, claramente. Cadê o investimento represado? Olho em volta e não vejo nada. São os investidores externos? Não. O Brasil está perdendo relevância externa, rapidamente.

Por que?

O PIB de hoje não ajuda muito. Mostra uma economia sem dinamismo. E qual investidor vai querer colocar dinheiro numa economia sem dinamismo? Antes disso, acho que tudo que a gente viu nos primeiros quase seis meses de governo Bolsonaro é muito indicativo do tipo de governo que é esse. É um governo que está mais empenhado em criar barulho e ruído e em falar para a base do que fazer coisas que possam colocar o Brasil em algum tipo de rumo. O investidor estrangeiro, e tenho conversado com alguns deles, já se deram conta de que esse governo está muito aquém do que imaginavam há seis meses. Então não estou  vendo investimento represado. Estou vendo muito mais cautela e até um certo descaso em relação ao Brasil. Podem dizer que o Brasil é uma economia importante, a maior da América Latina, mas é uma economia que não tem dinamismo nenhum. Não vale a pena. Os riscos são altos.

O cenário internacional pode ser um entrave a mais para a retomada da economia brasileira?

Sim. No meio disso tudo temos a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que tende a ter um efeito ainda pior sobre países emergentes com vulnerabilidade como o Brasil. Não adianta achar que a soja vai nos salvar, não é verdade. Olha o desempenho da soja no primeiro trimestre de 2019.

Há uma carência muito grande de investimentos. O governo não tem dinheiro e investidores estão sem apetite. Tudo está no limite.

Tá tudo muito no limite, sem perspectivas de investimentos e sem ter um governo que tenha capacidade de colocar a cabeça no lugar e pensar fora da caixinha extremamente liberal, excessivamente liberal, que é o que permeia o Ministério da Economia. Tudo passa pela reforma da Previdência, reforma tributária e privatização. Nenhuma dessas coisas é fácil de fazer. A reforma da Previdência está mais avançada; a tributária tem muita discussão, tem o nó dos Estados em crise. As privatizações também não são fáceis. Você não sai vendendo empresas de um dia para o outro. Tem um processo. Tem de desenhar o pacote de privatizações, escolher os ativos e ver se há apetite dos investidores por esses ativos. Além disso, o que entra de caixa é temporário. Esse é um governo sem imaginação. São bons técnicos, são pessoas sérias, tem boa cabeça, mas não têm imaginação. O Brasil precisa pensar fora da caixa. O que podemos fazer?

O que?

Já levantei a questão das nossas reservas, a única coisa que temos de sobra. Boa parte dela, que não está comprometida com nada, é um seguro e uma poupança. O pedaço que é excedente não serve para nós como seguro, serve mais como poupança. E podemos usar essa poupança para abater dívidas, que não têm efeito muito indireto sobre demanda agregada. Outra maneira é usar as reservas para respaldar linhas de créditos, que podem ser concedidas pelo BNDES para investimentos específicos que venham a ser feito pelo setor privado. Aí você daria um papel para o BNDES, impulso no crédito e com retorno maior da poupança do que temos hoje, que é o rendimento do título americano de dez anos. Por que não estamos botando a cabeça para pensar nessas coisas? Ficam com essa coisa refratária. Aí é uma paralisia completa.

A queda no PIB já era esperada? 

Embora o mercado diga que sim, todo mundo achava que a economia ia crescer 2,5% em 2019. Esse cenário se foi, não tem probabilidade de isso ocorrer com esse resultado do primeiro trimestre. O problema é que esse desempenho afeta a expectativa de muita gente, do pequeno comerciante ao trabalhador. Pode ser um número de retrovisor, mas afeta as expectativas.

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Fernando Dantas
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Com investimento deprimido, PIB não consegue mais nem 'voo de galinha'

Nem de forma intermitente a economia brasileira consegue mais crescer

Fernando Dantas*, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 16h40

Saudades do tempo dos voos de galinha. "Agora a galinha está pousada", comenta Alexandre Pavan Póvoa, sócio-fundador da gestora Canepa, no Rio. Em outras palavras, nem de forma intermitente a economia brasileira consegue mais crescer. Como nota Póvoa, depois da recessão terrível de 2004-2006, a economia praticamente não teve a chamada "retomada cíclica", aquela fase fácil de crescimento econômico em que apenas se retoma a produção perdida.

O vilão da recuperação frustrada são os investimentos, como fica claro em relatório divulgado hoje pelo economista e consultor Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. Ele observa que, desde o fim da recessão, no último trimestre de 2016, a economia moveu-se a um ritmo médio de apenas 1,4% ao ano. Esse passo de cágado foi puxado pelo consumo das famílias, que cresceu em média 2,2% ao ano no período, e adicionou R$ 53,1 bilhões à demanda doméstica.

O investimento, entretanto, arrastou-se a um ritmo de 1,9% (como é mais volátil, costuma subir e descer a taxa bem maiores do que a do consumo das famílias), com uma contribuição de apenas R$ 11,6 bilhões à demanda.

Segundo Schwarstman, o consumo das famílias já recuperou 60% do terreno perdido durante a recessão, enquanto o investimento só recuperou 10%. Com notou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, a formação bruta de capital fixo (FBCF) ainda está 29% abaixo do pico registrado em 2013.

A pergunta que não quer calar, evidentemente, é por que o investimento na economia está registrando esse desempenho dramaticamente ruim?

É certo que houve grande contração do investimento público e das estatais (com Petrobrás no destaque), depois que a nova matriz econômica falhou em prolongar artificialmente o boom insustentável do final do governo Lula, e a bolha estourou de vez (com a colaboração da queda das commodities) na recessão de 2014-2016.

Mas o investimento privado também está encolhido, e não fez nem sinal de ocupar o espaço vazio deixado pelo investimento público. As explicações para isso podem ser simplificadas em dois campos.

O primeiro, que inclui o presidente do BC, Roberto Campos Neto, dá ênfase à reforma da Previdência e outras providências fiscais e à agenda de melhora do funcionamento da economia. Principalmente em relação à Previdência e ao ajuste fiscal, os investidores privados estariam em compasso de espera, porque há o temor de que crises econômicas de grande magnitude podem torpedear a economia brasileira nos próximos anos se a crise estrutural das contas públicas não for resolvida.

Uma outra ala vê um problema de demanda. A contração fiscal e parafiscal simultânea (redução do crédito dos bancos públicos, especialmente BNDES) produziu uma freada violenta demais, que teria jogado a demanda num estado anêmico, o que, por sua vez, não cria o "espírito animal" de investimento nos agentes privados. O remédio aqui seriam novos cortes da Selic e políticas de estímulo como liberação de FGTS e PIS. O arrocho parafiscal poderia ser moderado.

O economista José Márcio Camargo, da Genial Investimentos (grupo Plural) no Rio, entretanto, vê um problema fundamentalmente pelo lado da oferta no desempenho pífio do investimento. Ele menciona a "a gigantesca destruição de capital" em função do modelo econômico de 2007 a 2015, na esteira de investimentos públicos descabidos (como a Sete Brasil), exagerados (como os da Petrobrás, que levaram a empresa a um grau altíssimo de endividamento) e de incentivos, via subsídios e direcionamento, a investimentos privados com retorno insuficiente para remunerar o capital empregado.

Assim, o que o Brasil vive hoje, na sua visão, é uma enorme ressaca de um ciclo de investimentos ruins, puxados por uma política econômica equivocada. Hoje, Camargo desenvolveu a sua visão numa série de "tuítes" da Genial Investimentos (@genialmacro).

Assim, "o fraco crescimento é o resultado de políticas desastradas dos governos Lula e Dilma. Crédito subsidiado, má alocação de investimentos públicos e privados, endividamento excessivo (mais de 6000 empresas estão em recuperação judicial), etc".

O problema é de oferta, e não de demanda. "As empresas não têm condições de investir, por estarem superendividadas". Para Camargo, por causa do endividamento excessivo, a Petrobrás "só não faliu porque é estatal".

O economista nota ainda que a aprovação da reforma da Previdência é fundamental para que os empresários descartem o cenário de volta de uma "brutal recessão", e assim possam investir. Mas a sua própria visão sobre o problema pelo lado da oferta indica que a reforma é condição necessária, mas não suficiente. Será preciso paciência também, até que os excessos e equívocos do período 2007/2015 sejam digeridos.

*É COLUNISTA DO BROADCAST

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