Itamar Miranda|Estadão
Itamar Miranda|Estadão

Saiba como foi a semana na economia

Redução da taxa básica de juros, resultado do PIB e acordo de leniência firmado pela JBS foram destaques

O Estado de S.Paulo

02 Junho 2017 | 21h22

Conforme esperado pelos economistas, o Banco Central reduziu a Selic, a taxa básica de juros, em 1 ponto porcentual. Outro resultado esperado era do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que registrou alta após oito trimestres no vermelho. Confira a seguir um resumo dos acontecimentos mais relevantes dos últimos dias.

PIB sobe 1% no 1º trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2016, interrompendo um ciclo de oito quedas trimestrais consecutivas, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o instituto, o PIB do primeiro trimestre do ano totalizou R$ 1,594 trilhão. Na avaliação de economistas, ainda é cedo para dizer que o Brasil saiu da recessão, pois os resultados dos próximos trimestres ainda poderão ser estáveis e sofrer pequena variação.

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Novo corte na taxa básica de juros

Em meio às dúvidas sobre o futuro do governo Michel Temer, o Banco Central reduziu a Selic (os juros básicos da economia) em 1 ponto porcentual, de 11,25% para 10,25% ao ano. É a menor taxa desde o fim de 2013. A decisão era esperada pelo mercado financeiro, que via pouco espaço para uma redução maior dos juros em função da crise política. 

 

 

 

JBS é investigada pela CVM e fecha maior acordo de leniência da história

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, já abriu dez processos administrativos contra a JBS desde a delação premiada de Joesley Batista. A investigação está relacionada à “Supervisão: notícias, fatos relevantes e comunicados”, informou a Comissão. Entre as medidas tomadas está a verificação sobre a forma e o momento em que os membros do conselho de administração e da diretoria estatuária da JBS ficaram sabendo sobre a delação premiada que causou uma das piores crises políticas dos últimos tempos. A compra de dólares no mercado futuro realizada pelos irmãos Batista também está sob investigação.

O frigorífico também comprometeu-se a pagar R$ 10,3 bilhões no maior acordo de leniência já firmado. O prazo de pagamento é de 25 anos com correção da inflação. Os termos do acordo ainda poderão passar por revisão do MPF, que deve avaliar a relevância do conteúdo apresentado pela empresa. Também pesou contra a companhia a decisão da Justiça Federal de bloquear R$ 800 milhões de seus cofres, valor referente ao suposto lucro conseguido com operações no mercado de câmbio, graças a informação privilegiada.

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A semana começou com o Brasil registrando o maior salto em exportações entre todos os países do G-20 no primeiro trimestre de 2017. Os embarques brasileiros cresceram 21,5% no período, acima da média mundial de 3%. Com isso, o País já acumula quatro trimestres de avanço nas exportações. Além disso, o intervalo entre janeiro e março de 2017 foi o mais positivo desde 2011, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Fraudes na declaração do Imposto de Renda

Na terça-feira, a Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram uma operação contra quadrilha que fraudava declarações do Imposto de Renda para recebimento de restituições de pessoas físicas. Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos seja de pelo menos R$ 12 milhões. O esquema era feito por contadores que faziam a inserção irregular de dados de parentes no sistema do IR.

Reforma da Previdência

No mesmo dia, o presidente Michel Temer discursou durante a abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2017, promovido em São Paulo. Para uma plateia de empresários e investidores, Temer relembrou feitos importantes de sua gestão em um momento de intensa crise política. Ele ressaltou a importância das reformas, em especial a da Previdência, e afirmou que "se de fato queremos um futuro melhor, não há plano B".

Violência no trânsito custa R$ 146 bilhões ao Brasil

A violência no trânsito brasileiro provocou um impacto econômico de R$ 146 bilhões no ano passado, ou 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo cálculo da Escola Nacional de Seguros. Essa é a perda da capacidade produtiva causada por acidentes que mataram 33,5 mil pessoas e deixaram outras 28 mil com invalidez permanente. O valor corresponde ao que seria gerado pelo trabalho das vítimas caso não tivessem se acidentado. São Paulo, Minas Gerais e Paraná lideram as estatísticas de perdas decorrentes dos acidentes de trânsito.

Novo Refis

Após uma longa negociação, que entrou até como moeda de troca de apoio dos parlamentares às medidas de interesse do governo no Congresso, a equipe econômica aprovou o texto da proposta que cria o novo parcelamento em substituição ao Programa de Regularização Tributária (PRT). O acordo fechado entre parlamentares e governo prevê desconto de até 90% nos juros e 50% nas multas para empresas endividadas. Com a medida, espera-se arrecadar R$ 200 bilhões em pagamentos de pessoas físicas e jurídicas que serão renegociadas e parceladas. Os débitos tributários do novo Refis poderão ser pagos em até 180 dias, uma proposta considerada bastante generosa.

Câmara adia fim da 'guerra fiscal' por 15 anos

Em votação realizada na quarta-feira, 31, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto de lei complementar do Senado que regulariza benefícios fiscais concedidos por Estados sem autorização do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Como deputados alteraram o texto aprovado pelos senadores, o projeto terá de passar por uma nova análise do Senado. Na prática, o texto aprovado adia o fim da chamada "guerra fiscal", na medida em que deu uma carência de 15 anos para Estados acabarem com as isenções concedidas para indústria, agropecuária e infraestrutura.

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14 milhões de desempregados

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) indicou que a taxa de desemprego no Brasil alcançou 13,6% no trimestre encerrado em abril, o pior desempenho para essa época do ano dentro da série histórica iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O País já soma 14, 048 milhões de pessoas sem emprego. Apesar do número elevado, economistas afirmam que o  resultado indica uma estabilização da taxa em relação ao período anterior. 

Presidência do BNDES

O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tomou posse nesta semana. Paulo Rabello de Castro afirmou que vai tratar o frigorífico JBS com o "rigor que o controlador merece" e com o "carinho que o empregado merece". Ele ressaltou que o banco possui "critérios rigorosíssimos".  

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Empresas áereas começam a vender passagens sem direito a bagagem

As companhias aéreas brasileiras começaram a cumprir as alterações de regulamentação feitas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre bagagens. Agora, cada passageiro tem direito de levar a bordo uma mala de mão com até 10 kg – antes, o limite era 5 kg. Mas, apesar de começarem a vender neste mês passagens sem despacho de itens, as empresas aéreas ainda não têm um mecanismo para cobrar a mala de mão que exceder o limite permitido do passageiro que chegar com ela ao portão de embarque. Na prática, isso permitirá que o viajante despache sem pagar.

Produção industrial

A produção industrial subiu 0,60% em abril ante março, na série com ajuste sazonal, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a abril de 2016, a produção caiu 4,5%, queda mais intensa desde outubro de 2016, quando o recuo foi de 7,5%. No ano, a indústria teve queda de 0,7%. No acumulado em 12 meses, a produção da indústria acumulou recuo de 3,6%. O avanço de 0,6% da atividade industrial na passagem de março para abril de 2017 teve predomínio de resultados positivos, com alta em 13 dos 24 ramos pesquisados.

Suspensão de venda de planos de saúde

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou a suspensão da comercialização de 38 planos de saúde de 14 operadoras. A medida atinge 739 mil beneficiários. Os motivos, segundo o órgão, são reclamações de usuários envolvendo negativa e demora no atendimento, apresentadas no primeiro trimestre de 2017. A medida entra em vigor no dia 9 de junho. Veja a lista de planos de saúde suspensos.

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