EFE/EPA/PETER KLAUNZER
EFE/EPA/PETER KLAUNZER

Sob protestos e esperado por investidores, Bolsonaro começa sua 1ª viagem internacional

Presidente já chegou à cidade de Zurique e segue para a estação de esqui de Davos; primeiro compromisso oficial será na terça-feira

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 07h05

DAVOS - O presidente Jair Bolsonaro desembarcou na cidade de Zurique na tarde desta segunda-feira, 21, ( pouco depois 11h no horário de Brasília), iniciando o que será seu batismo internacional. O brasileiro será levado da cidade suíça até a estação de esqui de Davos, onde faz seu primeiro discurso para líderes empresariais e chefes de Estado na terça-feira, 22. 

Seu desembarque é acompanhado de perto, tanto pela imprensa internacional quanto por investidores. No fim de semana, protestos por parte de sindicatos suíços e ativistas em Lausanne e Berna levavam cartazes com a foto de Bolsonaro e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Nelas, um recado: “not welcome” (Não são bem-vindos). 

Nos últimos dias, os principais jornais suíços destacaram a presença de Bolsonaro como uma das mais relevantes do Fórum Econômico Mundial, que começa na noite de segunda. Crises domésticas nos EUA, França e Reino Unido acabaram afastando alguns dos principais líderes que, de última hora, cancelaram suas viagens para Davos

Como resultado, o palco foi deixado para o brasileiro, que promete fazer um discurso moderado para tentar desfazer sua imagem de “extremista”. Ao Estado, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, garantiu que sua mensagem seria de liderar um “governo constitucional”. “O caminho, desde a proposta do plano de governo, é estado de direito. Rigorosamente dentro do que a Constituição prevê. O governo que tem uma relação franca e transparente com o Congresso nacional, que respeita a repartição de poderes”, disse. 

Mas, avaliando pelo tom da cobertura internacional, Bolsonaro terá um amplo trabalho para transformar sua imagem no exterior. Numa matéria publicada no final da semana passada, o jornal suíço Le Temps questiona se Bolsonaro estaria “no mesmo trilho de Pinochet”. 

Assinado pelo conceituado economista Charles Wyplosz, o texto faz um paralelo à mão dura do chileno e a simpatia do brasileiro pelos militares. Mas aponta um elemento em comum: o uso de economistas formados em Chicago para liderar uma reforma. No caso, o “garoto de Chicago” é Paulo Guedes

Diversas outras publicações chamam a atenção para o fato de que a primeira viagem ocorre sob a sombra de dúvidas sobre a origem do dinheiro de seu filho, Flávio Bolsonaro, além do confronto entre Gisele Bundchen e o governo por conta da Amazônia

Em Davos, Bolsonaro chega com cinco ministros, sendo Sérgio Moro, da Justiça, o mais esperado. O Fórum tem reforçado a ideia de que quer uma “moralizaçao da globalização”. Há dois anos, quem chamava a atenção em Davos era o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Entre os investidores, o tom é diferente. Os organizadores de Davos apontam que empresários e atores do sistema financeiro internacional vão usar a viagem de Bolsonaro para obter detalhes do que serão suas reformas

Para Entender

O que você precisa saber sobre o Fórum Econômico Mundial, em Davos

Encontro anual de líderes mundiais acontece na cidade suíça entre 22 e 25 de janeiro, com o objetivo de moldar a agenda futura da globalização

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.