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Graeme Jennings/ AP
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Dólar cai 1,9% após presidente do Federal Reserve adotar tom pró-estímulos; Bolsa sobe

Em discurso na Câmara dos Representantes, Jerome Powell disse que seria um 'erro mudar a política monetária dos EUA de forma prematura'

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 14h37
Atualizado 14 de julho de 2021 | 18h22

O tom ameno do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, que rechaçou qualquer especulação em torno de uma retirada mais rápida dos estímulos monetários, a despeito de índices de inflação mais altos nos Estados Unidos, ajudou na valorização dos ativos locais nesta quarta-feira, 14. A Bolsa brasileira (B3) subiu 0,19%, aos 128.406,51 pontos, enquanto o dólar teve queda de 1,87%, cotado a R$ 5,0841, no maior recuo porcentual desde o pregão de 31 de março, quando caiu 2,31%.

Na sessão desta quarta, o real, que havia sofrido em demasia no início do mês, liderou o ranking de valorizações, escorado também na expectativa de entrada forte de recursos para ofertas de ações iniciais (IPOs). Na máxima, o dólar foi a R$ 5,1567 e mínima, a R$ 5,0679. Em apenas três pregões desta semana, a moeda americana já acumula baixa de 2,96%, reduzindo a alta em julho para 2,23%. A moeda para agosto caiu 1,81%, a R$ 5,0810. Lá fora, o índice DXY - que mede a variação do dólar em relação a seis divisas fortes - recuava 0,42%, na casa dos 92,3 pontos.

Operadores comentam que, com a perspectiva de um ambiente de liquidez global elevada e a recuperação em curso da economia brasileira, o País pode se tornar mais atraente para os estrangeiros. Não se descarta a possibilidade de que exportadores decidam internalizar recursos represados lá fora, temendo que o dólar possa cair mais daqui pra frente.

No Congresso americano, Powell afirmou que seria "um erro mudar a política monetária de forma prematura" e que as "projeções apontam que os preços baixarão com a abertura plena da economia". Ele também disse que ainda há um grande "caminho" até que a taxa de desemprego, hoje em 5,9%, volte ao nível de fevereiro de 2020. "Uma das condições para subir juros é a taxa de desemprego estar perto de pleno emprego", afirmou.

Para gestor da Galapagos Capital, Valter Unterberger, os comentários de Powell hoje mostram que o Fed considera o quadro de inflação alta transitório, embora os núcleos inflacionários também estejam pressionados. "Isso acalmou os mercados, e abriu espaço pra queda do dólar. O componente externo pesou muito hoje", afirma Unterberger, para quem o Fed pode iniciar a redução do programa de compra de títulos públicos, o 'tapering', em dezembro, com o mercado de trabalho dando sinais mais fortes.

Unterberger diz que tem uma visão relativamente construtiva para o Brasil, dado o avanço da vacinação, a melhora do quadro fiscal e a normalização da política monetária. "A conjuntura melhorou muito e estou mais construtivo para o câmbio. Não vai ser um rali, com grande velocidade, mas o real continua sendo uma das minhas moedas favoritas".

Por ora, o mercado parece ter deixado de lado os ruídos políticos provocados pela CPI da Covid, que apura superfaturamento em compra de vacinas, e as especulações sobre eventuais desdobramentos da perda de capital político do presidente Jair Bolsonaro, internado hoje por causa de problemas intestinais. Bolsonaro teria até um encontro com presidentes dos outros Poderes, na tentativa de aparar arestas, mas o compromisso teve de ser cancelado.

Para José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, o risco político arrefeceu bastante e a agenda de reformas, como a tributária, avança no Congresso. "Além disso, com a Selic em alta, vamos passar a ter juro real quando olharmos a inflação 12 meses à frente, o que também contribui para dar alguma sustentação à moeda", afirma Junior, que não vê, contudo, o dólar caindo abaixo de R$ 5 no curto prazo. "Seria preciso que o DXY ficasse mais perto ou abaixo de 91 pontos para vermos o dólar voltar aqueles padrões anteriores, do fim de junho".

Bolsa

Após tocar pontualmente no negativo, o Ibovespa fechou em alta, em dia de grande oscilação no mercado de Nova York - por lá, Dow Jones e S&P 500 subiram 0,13% e 0,12% cada, mas o Nasdaq caiu 0,22%. Por aqui, na semana, o Ibovespa avança 2,37%, colocando os ganhos do mês a 1,27% e os do ano a 7,89%. O índice tambémn foi ajudado pelo tom mais pró-estímulos adotado pelo presidente do Fed, Jerome Powell.

Além do noticiário dos Estados Unidos, o IBC-Br, índice de atividade considerado como antecedente do PIB, teve queda de 0,43% em maio ante abril, com leitura de abril revisada para alta de 0,85% - a leitura de maio ficou dentro do intervalo do Projeções Broadcast, entre -0,80% e +1,65%, mas abaixo da mediana projetada, de +1,05%.

Entre idas e vindas nas últimas semanas, o índice da B3 alcançou hoje o terceiro ganho diário consecutivo, a melhor série desde a renovação de recordes observada até 7 de junho, quando o Ibovespa costurou oito altas em sequência, seis das quais em máximas históricas. Desde ontem, o passo atrás do governo em relação à proposta de reforma do Imposto de Renda contribuiu para alguma melhora de humor entre os investidores, apesar da incerteza sobre o efeito fiscal do parecer apresentado pelo relator e que passa agora a ser discutido com as bancadas dos partidos na Câmara dos Deputados.

De qualquer forma, a sensação de que a reforma não ficará do jeito inicialmente apresentado pelo Ministério da Economia resulta em alívio. "O bode da reforma do Guedes foi tirado da sala, com as adaptações sinalizadas ontem pelo relator, mas ainda leva algum tempo para ir à votação e para o mercado ver como ficará ao final, tanto pelo lado fiscal como pelo das empresas, o que não coincide necessariamente", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

Na sessão de hoje, o desempenho majoritariamente positivo das ações de bancos foi o contraponto às perdas observadas em commodities e mineração, em dia de ajuste para o petróleo, em queda acima de 2% à tarde, enquanto o minério de ferro veio de leve alta de 0,08% nesta quarta-feira na China, a US$ 218,66 por tonelada. Hoje, destaque para alta de 1,27% em Bradesco ON, por um lado, e para perda de 3,98% em CSN ON, por outro. Usiminas também caiu 3,46%. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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