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AFP PHOTO / Bryan R. Smith
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Bolsa chega a passar de 80 mil pontos, mas recua

Após atingir marca histórica, Ibovespa perde fôlego, mas fecha em novo recorde; investimento estrangeiro tem ajudado nos resultados

O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2018 | 19h07

Por pouco a Bolsa brasileira não encerrou o pregão desta terça-feira, 16, acima da marca histórica dos 80 mil pontos. Embalado pelos investidores estrangeiros, o Ibovespa, principal índice, chegou a bater em 80,2 mil pontos, mas perdeu fôlego no fim da sessão, após as Bolsas de Nova York mudarem para o terreno negativo. A Bolsa fechou o dia com alta de 0,10% e com um novo recorde, de 79.831 pontos.

Com o clima externo favorável e puxado pela valorização das ações da Petrobrás, o Ibovespa alcançou o nível histórico dos 80 mil pontos, apenas oito pregões após ter ultrapassado a barreira dos 79 mil pontos. A Bolsa se beneficiou do movimento dos investidores estrangeiros, que retornaram de um feriado nos Estados Unidos, na última segunda-feira, 15, com um apetite maior pelo risco. 

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O interesse dos estrangeiros no mercado brasileiro não é pontual. Até sexta-feira passada, 12, a entrada líquida de recursos de fora no mercado de ações local acumula R$ 3,58 bilhões neste ano, segundo a Bolsa. 

Uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch aponta que os investidores aumentaram as apostas em papéis de emergentes em 2018, em meio ao otimismo com a economia mundial e à elevada liquidez no mercado internacional. Entre os entrevistados, 41% disseram ter alocação acima da média nesses países, porcentual maior que o de dezembro. 

Para os analistas, as últimas altas da Bolsa sinalizam que o investidor deixou no retrovisor tanto o rebaixamento da nota de crédito do País pela agência de classificação de risco S&P, na semana passada, quanto os alertas severos por parte da Moody’s nesta semana.

“Não é de hoje que o mercado tem uma percepção de que o horizonte do Brasil não é tão tenebroso assim. A não aprovação da reforma da Previdência e o agravamento das contas públicas preocupam muito, mas para o investidor, o cenário de 2018 já está dado e esses serão problemas para o próximo presidente”, analisa Fabio Silveira, da consultoria Macrosector. 

“O recorde significa valorização das nossas empresas, que, com a inflação baixa, podem investir mais e gerar emprego e renda para o País”, chegou a comemorar o presidente Michel Temer, em sua conta no Twitter, antes do fechamento do pregão. Pela rede social, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também festejou a alta.

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Apesar de celebrado pelo governo, o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, lembra que a marca dos 80 mil pontos é nominal. “Se descontarmos a inflação ou o CDI, a Bolsa não avançou brutalmente, apenas está corrigindo uma queda significativa que teve antes e voltando a um patamar parecido com o de 2014.”

O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, avalia que o Ibovespa pode continuar a subir, mas isso também depende de fatores externos. “Os riscos na economia americana têm aumentado, o que pode ser um gatilho para desmontar Bolsas pelo mundo. Mas tirando uma crise que possa acontecer lá fora, a Bolsa brasileira tende a seguir positiva por um tempo ainda.”

Reversão. Em alta na maior parte da sessão, o Ibovespa sustentou o recorde de maneira contida. Próximo ao fim do pregão, o índice à vista retornou a um nível mais baixo em sintonia com a mudança de humor das Bolsas de Nova York. 

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Os agentes justificaram a perda de fôlego também pelas incertezas envolvendo a cena política e a reforma da Previdência. Nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu em conversa com investidores em Washington que a proposta de reforma vai a votação no próximo dia 19 de fevereiro “sem nenhum otimismo” de que o texto vai ser aprovado.

Entre as ações, as da Petrobrás subiram com força e na contramão dos contratos futuros de petróleo. Petrobrás ON teve alta de 1,79% e PN, 1,73%. No setor bancário, Itaú-Unibanco PN subiu 0,92%, Bradesco PN, subiu 0,67%. O dólar à vista fechou a R$ 3,2272, alta de 0,41%. / DOUGLAS GAVRAS, EULINA OLIVEIRA e SIMONE CAVALCANTI

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