Daniel Teixeira / Estadão
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Caminhoneiros dizem que até saem da estrada, mas continuam parados

Medidas anunciadas pelo governo de São Paulo não agradaram a grevistas que bloqueiam o Rodoanel Sul, em São Bernardo do Campo; PM negocia liberação da via

Bruno Ribeiro e Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2018 | 19h32

As medidas anunciadas pelo governador de São Paulo, Márcio França (PSB), na tarde deste sábado, 26, não agradaram aos caminhoneiros concentrados no acesso ao Rodoanel Sul. “Podemos até sair daqui. Mas segunda-feira ninguém trabalha”, disse o caminhoneiro Luís Carlos Pinto, de 45 anos, no local desde a última quarta-feira. “(O governo) Já não deveria cobrar pelo eixo suspenso (antes). O que queremos é o diesel a R$ 2,50.” 

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França afirmou que vai suspender a cobrança de pedágio por eixo suspenso em todas as praças do Estado se os caminhoneiros liberarem totalmente as rodovias paulistas. Em coletiva, o governador informou que a medida custará em torno de R$ 50 milhões por mês e garantiu que as concessionárias rodoviárias serão compensadas.

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O caminhoniero Luís Carlos Pinto diz que não pretende esperar uma ação policial para sair da rodovia, mas que vai continuar parado. Seu colega João Barbosa, de 55 anos, afirma que também não vai voltar ao trabalho mesmo que tenha de sair dali.

Os caminhoneiros acampados no Rodoanel Sul assam carnes e bebem na noite gelada de São Bernardo do Campo. Um dos blindados do Comando de Policiamento de Choque passou pela pista oposta, saindo do rodoanel, por volta das 20h20, e o movimento foi comemorado como uma vitória.  “Eles (a PM) estão do nosso lado. Todo mundo está do nosso lado. O pessoal da Volks ( montadora cuja fábrica fica na frente do bloqueio) veio dar marmita para nós. Cheguei na quarta-feira e, por mim, fico aqui dois meses, até o Temer cair”, disse o caminhoneiro João Muniz, de 53 anos.

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Na noite deste sábado, policiais do Comando de Policiamento de Choque e da Polícia Rodoviária Estadual já atuavam no Rodoanel Sul para garantir a liberação da via. Os motoristas ocupavam duas das quatro pistas da via desde a última quarta-feira. A Polícia Militar não descarta o uso da força durante as negociações com caminhoneiros em greve, mas garante que seria a "última opção". 

"A PM está preparada para o uso da força de forma gradativa, mas essa é a última opção. A nossa primeira opção é conversar, chegar a um acordo", informa a capitã Ana Lúcia, porta-voz da Polícia Militar. Segundo ela, a ação deste sábado ocorre sem ocorrências de conflitos e de forma pacífica. "As viaturas foram deslocadas para garantir a segurança dos manifestantes que desejam voltar para casa."

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Durante as negociações, caminhões de pequeno porte deixaram o local. De acordo com a SPMar, concessionária que administra o trecho do Rodoanel Sul, os manifestantes estavam no local desde quarta-feira, ocupando duas faixas e o acostamento dos dois sentidos ao longo de cinco quilômetros. Em nenhum momento, a via foi totalmente interditada.

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Mais cedo, o governador de São Paulo, Márcio França, estabeleceu prazo até as 21h para os caminhoneiros deixarem o Rodoanel e a rodovia Régis Bittencourt. Caso grupo acate a decisão, será suspensa a cobrança de eixos suspensos nos pedágios a partir de terça-feira, 29. A medida é uma das reivindicações dos caminhoneiros autônomos.

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Régis Bittencourt. Durante a tarde deste sábado, a Polícia Rodoviária Federal, com apoio da Polícia do Exército, negociou com caminhoneiros que interditavam a Régis Bittencourt, em Embu das Artes. O trecho foi alvo de bloqueios totais e protestos com queima de pneus nos últimos dias. Os grupos deixaram a pista da direita, mas até a noite permanecem no acostamento.

Segundo o governo federal, o Estado de São Paulo chegou a ter 40 vias interditadas e, neste sábado, tem apenas um bloqueio parcial, justamente no Rodoanel.

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