AMANDA PEROBELLI/REUTERS
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Bolsa tem queda e fecha aos 116 mil pontos, enquanto dólar fecha na maior cotação desde dezembro

Dados sobre vendas do varejo e serviços referentes a novembro esfriaram parte do entusiasmo observado desde a divulgação do PIB do terceiro trimestre de 2019; moeda americana fechou cotada a R$ R$ 4,1843

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 14h52
Atualizado 15 de janeiro de 2020 | 19h07

O Ibovespa interrompeu sequência positiva que prevaleceu nas duas sessões anteriores. O principal índice da B3 encerrou a sessão desta quarta-feira, 15, em baixa de 1,04%, a 116.414,35 pontos, oscilando entre mínima de 116.188,11 e máxima de 117.632,40 pontos. No ano, o Ibovespa acumula alta de 0,66%, com ganho de 0,79% até aqui na semana. O giro financeiro mais uma vez ficou acima dos R$ 20 bilhões

Nesta quarta, a leitura sobre as vendas do varejo em novembro veio abaixo do esperado, assim como, no dia anterior, a da atividade de serviços, uma combinação que esfriou parte do entusiasmo observado desde a divulgação do PIB do terceiro trimestre, e que havia elevado a expectativa para o desempenho econômico nos últimos três meses de 2019, estendendo-se ao ano ora em curso. Contudo, uma série negativa de novos dados - a começar pelos da Anfavea sobre as vendas de veículos, divulgado na semana passada - fez acender uma luz amarela entre os investidores. 

"É muito cedo para ajustar a expectativa para 2020, mas esses últimos dados, mais fracos, colocam alguma água no chope de dezembro", diz Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, referindo-se à forte progressão acumulada pelo Ibovespa ao longo do mês passado e que se estendeu à primeira sessão de janeiro, no dia 2, quando o índice atingiu nova máxima histórica, a 118.573,10 pontos, no fechamento daquele pregão.

"É preciso esperar um pouco mais, especialmente pelos resultados das empresas, mas esses dados mais recentes realmente não ajudaram", diz Luiz Roberto Monteiro, operador sênior da Renascença, observando um ruído inicial, ainda no fim do ano passado, quando uma associação de lojistas contestou o desempenho das vendas de Natal da associação de lojistas de shopping, a Alshop. 

Dólar

O dólar teve novo dia de alta e fechou com ganho de 1,30%, a R$ 4,1843, perto da máxima desta quarta, 15, e a maior cotação desde 5 de dezembro. 

O real não só teve o pior desempenho ante a divisa dos Estados Unidos em uma cesta de 34 moedas internacionais, como também é a com pior desempenho neste ano no mercado internacional. O dólar já acumula alta de 4,3% em 2020 no Brasil. O peso chileno tem o segundo pior desempenho este ano, e lá a moeda americana avança 3%. Na África do Sul, a terceira da lista, o dólar sobe 2,7%.

Os indicadores mais fracos que o esperado da atividade econômica brasileira, segundo traders de câmbio, são o principal motivo para a valorização do dólar neste ano no Brasil, pois aumentaram as preocupações com o crescimento da economia em 2020. 

As vendas no varejo de novembro, divulgadas nesta quarta vieram piores que o previsto e, com isso, o dólar passou o dia todo em alta, com impacto positivo praticamente nulo aqui da assinatura do acordo comercial fase 1 entre Estados Unidos e China.

Outro movimento que está contribuindo para a alta do dólar é que voltou a ganhar força o movimento de usar o câmbio para fazer proteção (hedge) para apostas em outros mercados, como o de juros futuros. Em dezembro, esse tipo de operação havia caído. Fontes do mercado de câmbio também falam que fundos quantitativos estrangeiros - que usam algoritmos para perseguir suas estratégias, agindo em momento de maior volatilidade - elevaram apostas contra o real no mercado de câmbio nos últimos dias.

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