Dida Sampaio/Estadão - 23/4/2019
Dida Sampaio/Estadão - 23/4/2019

Da euforia à frustração, economia brasileira ruma para novo ano perdido

Projeções para o PIB, que começaram o ano acima de 2,5%, já começam a ficar abaixo de 1%, com governo mergulhado em polêmicas e na desarticulação política

Alexandre Calais, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2019 | 11h57

Caro leitor,

Tudo o que se esperava da economia brasileira para este ano parece estar indo por água abaixo. A deterioração das expectativas foi rápida demais. Em janeiro, os analistas ouvidos pelo Banco Central na pesquisa Focus imaginavam que o País cresceria 2,5% este ano. Agora, essa mesma pesquisa aponta para 1,45%. Mas mesmo esse número já é considerado otimista. Há gente falando em  crescimento da economia abaixo de 1%. Ou seja, mais um ano de estagnação.

Por que essa mudança tão drástica e tão rápida?  Não há, claro, uma explicação única. Mas a questão da desarticulação política do governo é apontada com um dos principais fatores. Como mostra o editorial do Estadão , o presidente Jair Bolsonaro usa a hostilidade como método político, “transformando debates importantes em briga de rua”.

Esperava-se uma tramitação mais rápida da reforma da Previdência, apontada como um fator essencial para a recuperação da confiança na economia – ou seja, fundamental para destravar investimentos. Com todas as brigas entre Executivo e  Legislativo, no entanto,  essa rapidez não veio. Pelo contrário.

Enquanto o governo Bolsonaro envereda por uma barafunda de polêmicas, que vão das brigas do guru Olavo de Carvalho com os ministros militares ao bloqueio de recursos para a educação, passando pela liberação do  porte de armas para diversas categorias, nada de importante para a economia brasileira avança no Congresso.

A ponto de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmar ter acertado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que eles vão fazer a reforma da Previdência, “com o governo ajudando ou atrapalhando, com ou sem redes sociais”.

Mas há muitas dúvidas sobre a velocidade dessa aprovação.  Em viagem os Estados Unidos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ter ouvido de Maia e Alcolumbre a informação de que seria possível fazer isso em 60 dias . Com certeza, ninguém colocará sua mão no fogo por isso.

Para analistas, na verdade, esse já pode ser considerado um ano perdido em termos de atividade econômica. Já quase não restam dúvidas de que a economia fechou no vermelho no primeiro trimestre. O IBC-BR, espécie de prévia do PIB calculada pelo Banco Central, apontou para um recuo de 0,68% no período de janeiro a março.  O Monitor do PIB, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra uma queda de 0,1% no período. Mesmo que todas as projeções estejam erradas e o PIB tenha ficado no azul, terá sido um crescimento marginal.

Os balanços das empresas no primeiro trimestre já refletem esse momento ruim da economia brasileira. Na média, os lucros das companhias de capital aberto recuaram 5,7% no período. Isso, sem levar em conta os resultados da Petrobrás e da Vale, que reduziriam esse número ainda mais.  

Alguns economistas acreditam que começa a haver espaço até para corte de juros, como uma forma de tentar estimular a economia nacional. Bancos como Itaú e Bradesco acreditam que a taxa Selic chegue ao final do ano no patamar de 5,75% - hoje está em 6,5%. Porém, como lembra o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman,  a queda da taxa Selic pode até ajudar um pouco, “mas o investidor precisa saber se o País ainda vai resistir aos próximos quatro anos – uma segurança que só reformas estruturais podem dar". Mas, pelo menos por enquanto, as reformas estruturais estão mais para miragem que para realidade.

 

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