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Após reduzir fôlego, Bolsa fecha em alta de 4,85%; dólar fica em R$ 5

Mercados têm dia de recuperação, após recuo de 13,9% na segunda-feira; depois de bater em R$ 5,08, dólar perdeu força no pregão

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 09h06
Atualizado 17 de março de 2020 | 22h30

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou em alta de 4,85% nesta terça-feira, 17. Após instabilidade causada pelo anúncio da primeira morte pelo novo coronavírus no País, o Ibovespa recuperou o fôlego e o giro financeiro totalizou R$ 35,9 bilhões na sessão. A alta foi puxada pela atitude do Federal Reserve (Fed, na sigla em inglês), o banco central americano, que injetou novas medidas de estímulo na economia. 

Já o dólar, que possui uma valorização superior a 20% em 2020 e, na segunda-feira, 16, fechou, pela primeira vez na história, acima de R$ 5, cotado a R$ 5,05, abriu as negociações desta terça-feira, 17, a R$ 5,04, um leve recuo de cerca de 0,08% em relação ao dia anterior.  A moeda americana fechou cotada em R$ 5,0087.

Quando o cenário estava mais volátil, a moeda americana chegou a ser cotada a R$, 5,08, maior valor nominal - descontada a inflação - desde o surgimento do Plano Real. Nas casas de câmbio, segundo levantamento do Estadão/Broadcast, o dólar turismo é cotado entre R$ 5,19 e R$ 5,26. 

O cenário positivo na Bolsa brasileira, é um sinal de que os investidores absorveram positivamente o pacote de quase R$ 150 bilhões anunciado ontem à noite pelo Ministério da Economia, bem-recebido, embora muito baseado no diferimento de impostos e encargos em momento no qual a margem para estímulos fiscais é restrita.

"As medidas do Guedes foram consoantes com a visão de economia dele. Foi um conjunto de medidas de diferimento ou antecipação, com soma zero", diz André Perfeito, economista-chefe da Necton. Ele defende que as iniciativas envolvam também "injeção de liquidez direta nas empresas, especialmente as pequenas e médias, que empregam mais gente".

Com os cortes de juros e as provisões de liquidez que vêm sendo concedidas, a tendência é de que a volatilidade nos mercados globais se mantenha bem elevada, acrescenta o economista da Necton. "É uma questão que só se resolve com o retorno das pessoas ao trabalho e às escolas, quando isso for possível", diz Perfeito, para quem o receituário fiscal e monetário, aqui e no exterior, é limitado para lidar com a disfunção que se abateu sobre a economia global.

Pacote anunciado por Trump deu fôlego aos mercados mundiais

O relativo bom humor observado na sessão, aqui e no exterior, decorreu em parte de medidas anunciadas por Reino Unido, EspanhaEstados Unidos, para prover liquidez e sustentar a economia na difícil travessia do novo coronavírus, que já coloca em jogo a sobrevivência de setores mais diretamente atingidos pela crise de saúde pública global, como o aéreo. O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse que a proposta é de injetar quase US$ 1 trilhão para dar sustentação à economia. Ele ainda acrescentou que a atual crise é pior que o 11 de setembro para o setor aéreo. Segundo ele, a ideia é deixar os mercados abertos, mas há chance de os pregões serem abreviados. 

Trump disse também que todos os estados americanos estão preparados para os testes do vírus e que o governo dará suporte a pequenos e médios empresários. Afirmou ainda que a receita federal não cobrará juros e multas pelo período de 90 dias e que republicanos e democratas estão fazendo um trabalho coordenado contra o coronavírus.

Em resposta simultânea ao discurso, as Bolsas dos Estados Unidos também ampliaram os ganhos nos negócios da última hora. O índice acionário Dow Jones subiu 5,20%, a 21.237,38 pontos, o S&P 500 avançou 6,00%, a 2.529,19 pontos. O Nasdaq fechou em alta de 6,23%, a 7.334,78 pontos. 

Contexto mundial 

Os mercados internacionais começaram o dia em cenário de pânico global, provocado, principalmente, pelas incertezas causadas pelo novo coronavírus, causador da Covid-19, como tem sido nos últimos dias. Como os investidores não sabem quais serão, efetivamente, os impactos totais da pandemia, já que estamos vendo ainda o início de todo o processo, há uma apreensão generalizada, mesmo com medidas de estímulos sendo tomadas por bancos centrais de todo o mundo. 

Bolsas da Europa e Américas fecharam em queda na segunda. Nesta terça, a Europa abriu com uma leve tendência de recuperação, mas logo em seguida "inverteu o sinal" e passou a cair de forma generalizada. Mas, seguindo o "sobe e desce" mundial, por volta das 12h, os mercados europeus seguim com altas tímidas em relação ao fechamento do dia anterior, com exceção de Bélgica e Suécia, queGrécia têm queda, e Suíça, que não está com o mercado aberto. 

Na Ásia, mesmo com algumas Bolsas ensaiando recuperação após os tombos de segunda-feira, 16, China Coreia do Sul não conseguiram impedir que seus mercados sofressem perdas nesta terça-feira, 17. O índice de Xangai, chinês, encerrou o dia com queda de 0,34% em relação ao fechamento do dia anterior, aos 2.779,64 pontos, o menor patamar desde o início de fevereiro deste ano. Na Coreia do Sul, o recuo foi um pouco maior, de 2,47%, aos 1.672,44 pontos. Em Taiwan, a queda também foi expressiva, chegando, ao final do pregão, em (-2,86%).  / SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, MARCELA GUIMARÃES, FELIPE SIQUEIRA E TALITA NASCIMENTO

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