AP Photo/ Evan Vucci
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'Podemos fazer acordo com a China amanhã, mas na última vez eles tentaram renegociar', diz Trump

Segundo o presidente americano, acordo com a China será em feito em um momento certo e 'muito mais rápido do que as pessoas pensam'

Eduardo Gayer, Monique Heemann, Luciana Dyniewicz e Lorenna Cardoso, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2019 | 08h31

presidente americano, Donald Trump, voltou a criticar a China nesta terça-feira, 14, no Twitter. "Nós podemos fazer um acordo com a China amanhã, antes que as empresas comecem a sair para não perder os negócios nos Estados Unidos, mas na última vez em que estivemos próximos de um entendimento, eles quiseram renegociar o acordo", escreveu. Sobre essa possibilidade, acrescentou: "de jeito nenhum!". Trump disse ainda que o acordo com a nação asiática será feito em um momento certo e "muito mais rápido do que as pessoas pensam". 

O republicano afirmou que o país asiático quer um acordo e que, se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) colaborasse, os Estados Unidos "venceriam".

Ao defender os impactos das tarifas impostas à China para a economia americana, que teriam sido responsáveis pelo forte crescimento do primeiro trimestre, o presidente argumentou: "estamos em uma posição muito melhor agora do que qualquer acordo que pudéssemos ter feito". Segundo ele, os EUA são uma economia muito maior do que a China. "Aumentamos substancialmente de tamanho desde as grandes eleições de 2016."

"Temos de ser autorizados a compensar o tremendo terreno que perdemos para a China desde a ridícula formação unilateral da OMC", afirmou Trump, em referência à Organização Mundial de Comércio (OMC), onde a nação asiática tem algumas vantagens por ser um país em desenvolvimento. 

Segundo Trump, os produtores americanos serão os grandes beneficiados do que está acontecendo no momento. "Os fazendeiros foram esquecidos por muitos anos. A hora deles é agora!", disse, prevendo mais exportações agrícolas americanas no futuro, inclusive para a China.

Trump acrescentou que, em um ano, as tarifas reconstruíram a indústria siderúrgica dos EUA. "Colocamos uma tarifa de 25% sobre o aço 'descartado' da China e de outros países, e agora temos uma indústria grande e crescente", escreveu na rede social. Ele disse ainda que China deve "injetar dinheiro" na economia e "reduzir a taxa de juros", para "compensar os negócios que estão perdendo" na guerra comercial com os americanos.  

Guerra comercial

presidente americano começou a elevar a pressão sobre a China no primeiro domingo do mês, 5, quando anunciou pelo Twitter que a tarifa de 10% imposta a US$ 200 bilhões em bens chineses subiria para 25%. O anúncio fez as bolsas europeias caírem mais de 2% e as bolsas chinesas registrarem a sua maior queda diária desde 2016.

O aumento das tarifas passou a valer na última sexta, 10, mesmo dia em que representantes dos dois países se encontraram. No Twitter, Trump disse estar preparado para uma longa batalha. Foram dois dias de conversas que acabaram, mais uma vez, sem acordos

O mercado de ações começou a se deteriorar após a China anunciar que vai retaliar os EUA impondo tarifas de até 25% sobre US$ 60 bilhões em produtos americanos a partir de 1º de junho. A decisão de Pequim, divulgada na segunda-feira, é uma resposta às sanções americanas. No fim da tarde de segunda, os EUA formalizaram ainda uma proposta para elevar as tarifas de mais US$ 300 bilhões em produtos chineses - ou a totalidade do que é importado do país asiático. Antes de essa nova medida entrar em vigor, será realizada uma audiência pública.

O acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos levou Bolsas de todo o mundo a registrarem seus piores resultados desde o começo do ano. No Brasil, o Ibovespa, principal índice da B3caiu 2,69% e fechou em 91.726 – o menor patamar desde 7 de janeiro.

O dólar, após ultrapassar a barreira dos R$ 4, encerrou cotado a R$ 3,98, alta de 0,87%. Em Nova York, o Dow Jones terminou em queda de 2,38% e o S&P 500 perdeu 2,41%. Os dois apresentaram o pior desempenho porcentual desde 3 de janeiro.

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