Cleia Viana/ Câmara dos Deputados - 12/8/2021
Cleia Viana/ Câmara dos Deputados - 12/8/2021

Bolsa recua 1,1% e dólar sobe 0,7% após votação da reforma do IR ser adiada

Câmara optou por analisar o projeto na próxima terça-feira, após falta de consenso entre líderes de centro e oposição; falas de Bolsonaro também foram monitoradas

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2021 | 14h51
Atualizado 12 de agosto de 2021 | 18h12

O mercado brasileiro ficou no negativo, após a Câmara dos Deputados optar por adiar para a próxima terça-feira, 17, a votação da reforma do Imposto de Renda. Entre inúmeras idas e vindas de formato desde que o projeto veio a público, o mercado ainda espera conhecer o modelo que será submetido à votação. Em resposta, nesta quinta-feira, 12, a Bolsa brasileira (B3) fechou em queda de 1,11%, aos 120.700,98 pontos - menor nível de encerramento desde 12 de maio, enquanto no câmbio, o dólar teve alta de 0,67%, cotado a R$ 5,2564.

Nesta quinta-feira em que emendou a terceira perda diária, o Ibovespa foi na mínima intradia a 120.533,72 pontos, menor nível desde 11 de maio, então a 120.145,44 pontos. Na semana, o índice acumula queda de 1,72%, enquanto no mês, cede agora 0,90%. O clima negativo do mercado brasileiro foi na contramão do bom humor de Nova York, com Dow Jones e S&P 500 subindo 0,04% e 0,29% cada, o suficiente para baterem um novo recorde de fechamento. O Nasdaq teve ganho de 0,35%. O desempenho foi influenciado pela queda de 12 mil nos pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 7 de agosto.

Diante da falta de consenso sobre o texto, líderes de centro e de oposição fizeram uma proposta para adiar a votação da reforma do Imposto de Renda para a próxima terça-feira, 17, ao invés de hoje. A sugestão foi levada pelo líder do DEM, Efraim Filho (PB) e acabou sendo aceita pelos demais partidos. O relator da reforma, deputado Celso Sabino (PSDB-PA), disse que vai acatar sugestões das bancada partidárias e protocolar um novo texto. Teme-se que a reforma resulte em perda de arrecadação, exacerbando o problema das contas públicas, e desencadeie remessas prematuras de recursos para o exterior, por conta da taxação de dividendos.

Para Cleber Alessie, gerente da mesa de derivativos financeiros da H.Commcor​, a reforma do IR está "muito truncada" e acaba elevando o nível de incerteza sobre a política fiscal, já grande por conta de temores com "ofensiva populista" de Bolsonaro, que quer aumentar gastos sociais. afirma. A esse fator, soma-se com a postura belicosa do presidente, que continua a pôr em dúvida a legitimidade do processo eleitoral e a criticar outros Poderes.

Em cerimônia de promoção de oficiais-generais, disse ter certeza de possuir o apoio integral das Forças Armadas, a quem, segundo o presidente, cabe o papel de um inexistente "poder moderador". O presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer que estão nas mãos das Forças Armadas a garantia da liberdade e da democracia no país.

"O ruído político está atrapalhando, mas o Ibovespa tem mostrado força na passagem dos 121 mil para os 120 mil pontos, um patamar que tem atraído interesse comprador. Com uma temporada de balanços em geral positiva, a Bolsa brasileira está abaixo de sua média histórica. O estrangeiro voltou a comprar neste começo de agosto, enquanto o investidor doméstico sente o político, mas busca agora alguma compra nos setores associados à atividade interna", diz Rodrigo Santin, CIO da Legend, escritório ligado ao BTG Pactual, chamando atenção para o forte desempenho dos serviços em junho, divulgado hoje pelo IBGE.

Nesta quinta-feira, resultados trimestrais menos favoráveis, como os de B3 ON, em baixa de 7,71% e Ultrapar, de 12,33%, contribuíram para o ajuste negativo do Ibovespa na sessão, em que as perdas entre os grandes bancos, segmento de maior peso no índice, chegaram a 2,17% para Banco do Brasil ON. No lado oposto do índice, destaque também para empresas que apresentaram resultados, como Hapvida, em alta de 6,38%, Intermédica, de 6,91% e Fleury, de 4,01%.

Câmbio

A degringolada no mercado de câmbio hoje teve como gatilho o adiamento da votação da reforma do Imposto de Renda, pela piora do desempenho das divisas emergentes no exterior e por declarações antidemocráticas de Bolsonaro. Nem mesmo o tom duro do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que prometeu, em live hoje à tarde, fazer "tudo o que for necessário" para controlar a inflação animou investidores a abandonar posições defensivas.

Em tese, a taxa Selic mais alta traria mais recursos ao país, ao aumentar os ganhos de arbitragem com o diferencial de juros interno e exterior - ainda mais porque o Banco Central brasileiro embarcou em um ciclo de aperto monetário mais forte que o de outros países emergentes. O dólar para setembro fechou hoje em alta de 0,41%, a R$ 5,2650.

"O mercado está em uma posição bastante defensiva com o Brasil. A maior parte acredita que a taxa de câmbio está fora do lugar. Deveria ser R$ 4,80, R$ 4,90. Mas nem mesmo com a Selic mais alta a gente vê uma apreciação da moeda, como se poderia esperar", afirma Alessie, da H.Commcor. /ANTONIO PEREZ, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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