#elesnão

#elesnão

Estamos na reta final da corrida presidencial e dois candidatos despontam para um possível segundo turno: Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). E por que o título deste texto é #elesnão? Porque, na minha opinião, nenhum dos dois é uma boa alternativa para comandar o Brasil.

Alexandre Cabral

06 Outubro 2018 | 05h30

Estamos na reta final da corrida presidencial e dois candidatos despontam para um possível segundo turno: Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). E por que o título deste texto é #elesnão? Porque, na minha opinião, nenhum dos dois é uma boa alternativa para comandar o Brasil. Aos motivos:

Bolsonaro: Arquivo do Estadão / Haddad: Nilton Fukuda

– Haddad

Como prefeito de São Paulo, foi um razoável gestor. Mas é cercado de companhias que não me agradam nem um pouco. Começando pela vice, Manuela D´Ávila (PC do B). Não consigo imaginar as propostas do partido dela como plano político para o nosso país. Se resolverem colocar as ideias em prática, nós vamos quebrar.

E há muitos outros motivos para eu não gostar da ideia de ver Haddad como presidente do Brasil. Imaginem as seguintes pessoas no poder:

  1. Lula como ministro de qualquer pasta ou Lula, da cadeia, comandando o Brasil;
  2. José Dirceu na Casa Civil;
  3. Dilma Rousseff como presidente do Senado;
  4. Petrobras novamente sob controle do PT (imaginem a possibilidade de uma Lava Jato 2).

Isso, entre muitas outras questões que já abordei neste blog nos últimos anos  (vou colocar os links no final deste texto), como ideias econômicas ultrapassadas e aliados de passado duvidoso. Haddad no poder seria um baita retrocesso econômico e ético.

 

 

– Bolsonaro

Na questão desonestidade, tem um caso solto sobre dinheiro da JBS que ele teria devolvido e depois recebido via partido – nada além disso. Mas há um grupo em volta dele que eu acho um pouco estranho. Um vice (general Hamilton Mourão) que não sabe ficar calado, adora uma polêmica. Geralmente o vice é uma pessoa que dialoga com o Congresso. Imaginem o Mourão tomando um “não” dos deputados ou senadores. Vai rodar nas tamancas.

Além disso, há um clima horroroso se instalando entre o candidato e o seu principal nome para a equipe de ministros: Paulo Guedes (Fazenda). Já descobrimos que não é bem assim aquele discurso inicial de que o economista teria total liberdade para fazer o que quisesse. No mês passado, quando Guedes começou falar em palestras sobre algumas propostas, como mudança no IR e criação de uma CPMF, Bolsonaro surtou e ligou do, hospital, para o “comandante da economia”, proibindo que ele aparecesse em público por um tempo. Resultado: Paulo Guedes cancelou presença em 3 eventos onde falaria das propostas do governo Bolsonaro para a economia. Prova de que não terá um poder tão grande e absoluto, como sempre foi anunciado pelo Bolsonaro. Na verdade, tenho medo de que possa se tornar um fantoche do Bolsonaro, como o Haddad está sendo do Lula.

Outra questão que me preocupa é o “efeito Macri”. O que é isso? Se Bolsonaro não ceder cargos para partidos e não souber conversar com o Congresso, não vai conseguir aprovar muita coisa. Infelizmente nossa legislação dá muita força ao “toma lá, dá cá”. Aliás, no ano passado, fiz um curso sobre o funcionamento do Congresso Nacional e uma coisa me deixou de queixo caído: qualquer assunto só é votado nas duas casas (Câmara e Senado), se os presidentes das duas casas lerem, no começo da sessão, o que será votado, o projeto quase todo. Se eles não lerem, pode esquecer, não entra na pauta. O Renan Calheiros, quando presidente do Senado, segurava várias propostas encaminhadas pela Dilma e não tinha “quase nada” que o fazia seguir com a tramitação (o “quase nada” é de livre interpretação do leitor). Dada essa situação, se o Bolsonaro não souber dialogar com o Congresso, vai ter muita dificuldade para aprovar as medidas necessárias para fazer o Brasil caminhar. E nós vamos é ter saudades das trapalhadas do Temer.

Uma coisa curiosa na trajetória do Bolsonaro candidato a presidente é a mudança de discurso ao longo da campanha. No início, ele achava (ao menos publicamente) que tudo deveria ser privatizado – exatamente como defende seu nome para comandar o Ministério da Fazenda, o Paulo Guedes. Em questão de semanas, mudou de ideia, dizendo que a Petrobras ele não privatizaria. Depois veio com um papo de que não vende o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. E, nesta semana, aumentou a lista das não privatizáveis, incluindo Furnas e outras empresas ditas estratégicas.

Sem contar discursos contra indígenas e quilombolas, que podem provocar revolta na população. Ou vamos fazer igual a ele, que, quando pressionado, diz que é tudo brincadeira.

 

Sugestão

O meu maior medo é que se repita, em 2018, o que aconteceu em 2014: uma eleição tão polarizada, que deixou a população dividida, o Congresso dividido, gerando um clima absolutamente hostil. A coisa mais ética e sensata seria o ganhador chamar o perdedor para conversar e transmitir ao vivo essa conversa, para nós sabermos que existe uma chance de convívio civilizado entre eles, com embate somente de ideias, para o bem da população brasileira. Eu digo a vocês que o “LuDdad” até chamaria o “BolsoGuedes”, que não aceitaria. Mas não consigo ver o cenário inverso: BolsoGuedes convidando o LuDdad para conversar. Espero que eu esteja enganado.

 

Conclusão

Existem nomes melhores do que Jair Bolsonaro e Fernando Haddad para comandar o Brasil, isso é fato. Mas sou totalmente a favor da democracia e de que, portanto, o povo escolha o que considera melhor para nós. Minha preferência seria por um terceiro nome, mas acho muito difícil. Começo a acreditar até que o Bolsonaro leva no primeiro turno.

Na minha opinião, entre os dois, vale mais a pena apostar nas ideias do BolsoGuedes e dar a eles o benefício da dúvida, do que apostar nas propostas do LuDdad, que já sabemos que podem causar sérios problemas mais para frente. Tem gente falando que os analistas preferem o BolsoGuedes. Mas a verdade é que eles não querem, de jeito nenhum, o LuDdad. E aí o que sobra vira rei.

Uma última coisa curiosa: sei que vou apanhar dos eleitores dos dois lados – de quem apoia o BolsoGuedes e de quem vota LuDdad. Vão dizer que estou surtado, que sou burro etc. Mas acho que a maioria não vai nem se dar ao trabalho de ler este texto. Então, vamos lá, a proposta é: quem leu até o fim , por favor, escreva nos comentários a palavra Esperança.

Um consciente e tranquilo dia de eleições para todos nós!

 

Alguns do links sobre a era Dilma e Lula

Na era Dilma (2011-16), crescimento do Brasil ficará pior que da Argentina e Bolívia (Fonte: FMI)

6.776 vagas de trabalho são fechadas por dua útil no Brasil.

PIB 2015: até setores que cresceram desempregaram!

Temos o rating pior do que o da Bolívia e igual ao de Angola

PIB da era Dilma em ritmo de Quarta-feira de Cinzas!

Leitor: para os principais bancos do mundo, é mais arriscado apostar no Brasil do que na Argentina

18,07% ao ano foi a inflação “causada” pelo Governo

 

Edição: Patrícia Monken