Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Covid-19

Bill Gates tem um plano para levar a cura do coronavírus ao mundo todo

Após quedas, Bolsa fecha em alta, aos 78 mil pontos; dólar fica em R$ 5,18

Em pregão de instabilidade, B3 abriu as negociações desta segunda com leve queda; com o resultado, moeda americana quebrou uma sequência de quatro quedas consecutivas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2020 | 09h04
Atualizado 13 de abril de 2020 | 18h57

Após um pregão de instabilidade, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3fechou nesta segunda-feira, 13, na máxima do dia, com ganho de 1,49%, aos 78.835,82 pontos. Já o dólar terminou as negociações com alta de 1,75%, sendo cotado a R$ 5,18.

Bolsa iniciou as negociações desta segunda com leve queda, mantendo o patamar de 77 mil pontos conquistado na última semana. Momentos após a abertura, às 10h18, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, começou a subir cerca de 0,2%, apoiado pelos ganhos das ações de grandes empresas, conhecidas como 'blue chips'.

Porém, a instabilidade no mercado de ações brasileiro tornou a aparecer e às 10h25, a Bolsa teve nova queda de 0,3%, aos 77.392,40 pontos. Na mínima do dia, às 12h05, o Ibovespa tinha queda de 0,6%, aos 76.351,45 pontos. No entanto, a situação não se manteve assim por muito tempo. Apoiada pelo cenário político brasileiro, a B3 tornou a subir e por volta das 14h50 batia no patamar dos 78 mil pontos.

Já o dólar começou o dia com alta de 0,5%, cotado a R$ 5,12 - e também teve uma segunda de instabilidade. Ao longo do dia, a moeda aumentou o ritmo de apreciação, até atingir a máxima de R$ 5,20. Contudo, já no final da tarde, ela tornou a recuar, se mantendo estável no patamar dos R$ 5,18.

Apesar da leve queda ao longo do dia, a moeda tornou a subir nesta segunda, em comparação aos resultados da última quinta-feira, 9, quando fechou cotada a R$ 5,09, uma baixa de 1,02%. Com o resultado, o dólar quebrou uma sequência de quatro quedas consecutivas - mas a situação ainda pode ser vista como positiva. Vale lembrar que na sexta-feira, 3, a moeda atingiu um novo recorde nominal, quando não se desconta a inflação, desde o Plano Real, de R$ 5,32Somente neste ano, a valorização do dólar frente ao real está próxima dos 30%. 

Porém, o dólar não é o único que segue valorizado. O euro, da União Europeia, também já ultrapassou a casa dos R$ 5 pela primeira vez, e bate recordes de cotação desde março. O maior valor, também nominal, por enquanto, é de R$ 5,78, atingido em 3 de abril. A situação tensa nos mercados é uma consequência direta do novo coronavírus, causador da covid-19, que continua pressionando as economias mundiais.

Cenário local

O mercado brasileiro acordou nesta segunda com novos dados sobre os impactos do coronavírus no País. Segundo projeções do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, os analistas já trabalham com uma retração de quase 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Ricardo Lewandowskiesclareceu nesta segunda que os acordos firmados entre empregadores e empregados, para a redução de jornada e salário, têm validade imediata. Contudo, ele manteve seu posicionamento inicial de que as decisões precisam ser comunicadas aos sindicatos das respectivas categorias.

Também trouxe alívio ao mercado, a notícia de que os beneficiários das últimas parcelas do seguro-desemprego podem solicitar a ajuda emergencial de R$ 600 do governo federal. No entanto, segue como preocupação a ajuda que a União dará aos Estados e municípios. Nesse cenário, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, continuam sem chegar a um consenso.

Enquanto isso, o início da votação da PEC do 'orçamento de guerra', por volta das 15h, pareceu agradar ao mercado brasileiro, que reagiu com seguidas altas no Ibovespa. Porém, a votação da proposta, que cria uma espécie de segundo orçamento para agilizar os gastos relacionados ao enfrentamento do novo coronavírus, precisou ser adiada para a próxima quarta-feira, 15. A iniciativa deve receber toda a atenção do investidor, já que até o momento, o Brasil soma 1.328 mortes e 23.430 infectados.

​Cenário internacional

Nos Estados Unidos, os investidores continuam monitorando o avanço da pandemia. Neste final de semana, o país bateu recordes ao registrar mais de 500 mil casos do novo coronavírus e se tornar o primeiro a ter mais de 2 mil mortos em apenas 24 horas. Nesse cenário, o investidor americano deixou temporariamente de lado a notícia de que Bernie Sanders vai apoiar Joe Biden na corrida eleitoral, para voltar sua atenção a temporada de balanços das empresas, que devem trazer os primeiros sinais do impacto do vírus na economia.

Na China, a expectativa desta segunda já gira em torno do resultado do PIB do primeiro trimestre e também da produção industrial e da balança comercial de março, que irão mostrar o tamanho do estrago que o coronavírus fez na segunda maior economia do mundo. O resultado, que também segue sob a atenção do mercado internacional, será divulgado ao longo desta semana.

Já na Coreia do Sul, o setor automotivo virou alvo de preocupação dos investidores. Segundo relatos, a montadora Kia Motors está considerando interromper a produção em algumas fábricas locais, devido a queda nas vendas causada pelo vírus. No mundo, a covid-19 já ultrapassa 1,8 milhão de casos, deixando mais de 112 mil vítimas fatais.

Petróleo 

Apesar do acordo histórico da Opep+ e Rússia para cortar a produção em 9,7 milhões de barris por dia até o fim de junhoo petróleo fechou sem direção única na volta do feriado da Sexta-feira Santa. O resultado foi motivado pelas previsões pouco animadoras dos analistas, que acreditam que as negociações entre os países pode não ser o bastante para estabilizar o mercado.

Como consequência, o WTI para maio, referência no mercado americano, fechou com queda de 1,54%, a US$ 22,41 o barril. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, subiu 0,95%, a US$ 31,74 o barril.

Bolsas do exterior

As Bolsas da Ásia fecharam as negociações desta segunda, em baixa, influenciadas pelos persistentes temores gerados pelo avanço da pandemia do novo coronavírusNa China continental, o índice Xangai composto recuou 0,49% e o menos abrangente, Shenzhen Composto caiu 0,80%. O japonês Nikkei teve queda de 2,33% em Tóquio, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 1,88% em Seul e o Taiex registrou baixa de 0,57% em Taiwan.

Já as Bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta segunda. Depois acumularem ganhos de mais de 10% na semana passada, em meio ao mega pacote de estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Dow Jones encerrou em queda de 1,39%, enquanto o S&P 500 recuou 1,01%. Indo na contramão, o Nasdaq terminou o dia com ganho de 0,48%. 

Em Hong Kong, Austrália e também na Europaas bolsas não abriram, devido ao feriado da segunda-feira de Páscoa/ SILVANA ROCHA, LUCIANA XAVIER, SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, ANDRÉ MARINHO E MAIARA SANTIAGO.

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