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E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Após perdas, Bolsa encerra com leve alta, aos 79 mil pontos; dólar fecha a R$ 5,59

Deu ânimo ao mercado, o fato das principais economias do mundo já se prepararem para a reabertura; porém, a divulgação do depoimento de Sérgio Moro desacelerou os ganhos

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2020 | 09h03
Atualizado 05 de maio de 2020 | 18h59

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou as negociações desta terça-feira, 5, em alta de 0,75%, aos 79.470,80 pontos, após amargar perdas no dia anterior. Já o dólarque começou as negociações do dia em queda, tornou a subir e fechou com alta de 1,30%, a R$ 5,59. Deu força ao mercado, a melhora do ambiente externo, no qual várias economias internacionais já se preparam para iniciar os processos de abertura pós-coronavírus.

Após abrir em alta de 1,71%, aos 80.470 pontos, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, tem um dia positivo nesta terça, após as quedas da última segunda-feira, 4, quando a Bolsa ampliou as perdas da semana anterior e caiu 2%, aos 78 mil pontos. E apesar das pequenas oscilações, às 14h29 a B3 caía aos 80.095,14 pontos, na mínima do dia, o índice conseguiu se manter estável e evitou maiores perdas. Na máxima do dia, às 10h58, o índice subia aos 81.082,96 pontos. 

No entanto, apesar do ritmo positivo, a alta da Bolsa foi impactada no final da tarde, pela divulgação do depoimento de Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, à Polícia Federal. Segundo consta nos autos, Bolsonaro teria pressionado pela troca na PF do Rio de Janeiro. Em resposta, a B3 desacelerou os ganhos e fechou no patamar dos 79 mil pontos.

Já o dólar abriu as negociações do dia em queda de 0,3%, a R$ 5,51. Pela manhã, a moeda ainda apresentou novo recuo até bater na mínima do dia, a R$ 5,49. No entanto, já por volta do meio dia, ela tornou a subir e rapidamente bateu em R$ 5,56. Sofrendo com uma nova escalada de preços, que ganhou força com a crise do coronavírus, o dólar tem apresentado uma apreciação cada vez maior - apenas em 2020, ele já tem uma valorização superior a 35%.  

Contexto nacional

Nesta terça, o dia começou com a informação de que a produção industrial do Brasil caiu 9,1%, no pior março desde 2002, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo o órgão, a queda é resultado das paralisações em diversas fábricas para conter o avanço do coronavírus.

Quem também já está sentindo o impacto do vírus são os grandes bancos do País. Após o lucro do Itaú Unibanco cair mais de 43,1% no primeiro trimestre de 2020, não apenas ele, como também Santander Bradesco já trabalham com um fundo reserva de R$ 21,7 bilhões, para lidar com o aumento do calote em meio à crise.

Nesse cenário, a pressão continua sendo para que o governo não economize esforços para lidar com a crise. Após a Câmara aprovar o texto-base da nova versão da PEC do 'orçamento de guerra' - que devolveu os poderes de fogo do Banco Central -, o Congresso que agora ampliar o benefício dado aos trabalhadores que tiveram o salário ou a jornada reduzida, o que pode superar o custo em R$ 100 bilhões.

Além disso, ainda continua pressionando o mercado, as idas e vindas do governo em Brasília. Nesta terça, Bolsonaro se exaltou com jornalistas, quando questionado sobre uma possível interferência na Polícia Federal. As perguntas vieram após o presidente trocar o comando da PF no Rio de Janeiro e de nomear Rolando Souza como o novo diretor do órgão. No final da tarde, a justiça do Distrito Federal deu 72 horas para o governo justificar a troca.

Contexto internacional

Ganhou a atenção dos investidores nesta terça, a notícia de que algumas das maiores economias do mundo já se preparam para relaxar as medidas de isolamento. Na Europa, Áustria, Alemanha, Espanha e Itália já começam a dar os primeiros passos rumo a uma lenta reabertura. A essa lista também se soma o Reino Unido - segundo o ministro Boris Johnson, o pico de casos já foi atingido na região e um plano de desconfinamento pode ser anunciado na próxima semana.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, alguns estados já se preparam para relaxar as medidas. Até o momento, Flórida, Indiana, Kansas, Missouri, Nebraska, Carolina do Sul e Virgínia Ocidental estão iniciando planos de reabertura. No entanto, regiões que ainda continuam com um alto número de casos, como Nova York, por exemplo, permanecem fechadas.

Porém, além das notícias positivas, o dia também foi de indicadores. Na Europa, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro, recuou 1,5% na passagem de fevereiro para março, ante expectativa de queda menor, de 1,3%. Já no Reino Unido, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), despencou de 34,5 em março para a mínima recorde de 13,4 em abril.

Petróleo

Também influenciados pelas notícias de reabertura tanto nos EUA quanto na Europa, os contratos da commodity fecharam em forte alta nesta terça. Nesse cenário, a declaração de Donald Trump de que seu governo vai construir a maior economia do mundo de "maneira rápida", renovou o fôlego do petróleo.

Em resposta, o WTI para junho, referência no mercado americano, fechou com alta de 20,45%, a US$ 24,56 o barril. Já o Brent para julho encerrou com ganho de 13,86%, a US$ 30,97 o barril.

Bolsas do exterior

As Bolsas da Ásia tiveram altas modestas nesta terça. O índice Hang Seng subiu 1,08% em Hong Kong e o Taiex avançou 0,50% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana também ficou no azul, e o S&P/ASX 200 se valorizou 1,64% em Sydney. Nesta madrugada, o Banco Central da Austrália (RBA) decidiu manter sua taxa básica de juros na mínima histórica de 0,25% pelo segundo mês consecutivo, depois de reduzi-la agressivamente em reação ao coronavírus. Os principais mercados da região - ChinaJapão Coreia do Sul - não abriram por conta de feriados locais.

As Bolsas da Europa também tiveram um dia de ganhos. O índice Stoxx 600 encerrou com avanço de 2,15% e em Londres, o índice FTSE 100 subiu 1,66%. Na Bolsa de Paris, o CAC 40 fechou em alta de 2,40% enquanto em Frankfurt, o DAX avançou 2,51%. Em Milão, o FTSE MIB registrou alta de 2,06%, em Madri, o Ibex 35 ganhou 1,11% e o PSI 20 subiu 0,84% na Bolsa de Lisboa.

O cenário também foi parecido nas Bolsas de Nova York. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,56%, o Nasdaq subiu 1,13% e o S&P 500 ganhou 0,90%. Ajudou a fortalecer o mercado americano, a declaração do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que continuará apoiando o mercado em meio à crise./SILVANA ROCHA, SERGIO CALDAS, ANDRÉ MARINHO, MARCELA GUIMARÃES, FELIPE SIQUEIRA e MAIARA SANTIAGO

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