Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

Mesmo após acordo, protestos continuam: entenda a greve dos caminhoneiros

Paralisação atinge 596 trechos de rodovias seguem bloqueadas; veja repercussão

Igor Moraes, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 16h57

Apesar da proposta oferecida pelo governo e do acordo firmado com lideranças do movimento, a greve dos caminhoneiros continua obstruindo rodovias e gerando problemas de abastecimento em todo País.

O uso das Forças Armadas para desbloquear as estradas já foi autorizado pelo presidente Michel Temer e a Polícia Federal deverá investigar a possibilidade de locaute - participação dos patrões - na paralisação dos caminhoneiros, que entrou neste sábado, 26, no sexto dia.

Para entender melhor o cenário e a repercussão da greve dos caminhoneiros, confira as perguntas e respostas abaixo:

 

Afinal, acabou a greve dos caminhoneiros?

Apesar do acordo proposto pelo governo federal ter sido aceito pela maior parte das 11 entidades presentes na reunião realizada na noite dessa quinta-feira, 24, os protestos dos caminhoneiros continuam acontecendo em todo o País.

O acesso ao porto de Santos, o maior e mais importante do País, segue bloqueado. Em São Paulo, os motoristas de vans escolares paralisaram suas atividades na manhã de sexta, 25, em apoio aos caminheiros. No mesmo dia,  o prefeito Bruno Covas decretou estado de emergência na capital. Medida semelhante foi adotada por outros municípios do Estado.

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Se houve acordo, por que há ainda caminhoneiros em greve?

Até mesmo os líderes dos caminheiros que assinaram o acordo com o Planalto não garantiram que as estradas seriam liberadas e o trabalho retomado.

“Assumimos o compromisso e vamos repassar ainda hoje, na íntegra, para todos eles. Mas é a categoria que vai analisar e é o entendimento deles é que vai dizer se isso foi suficiente ou não”, disse o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos (CNTA), Dilmar Bueno, após a reunião com o governo federal.

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A explicação das entidades que coordenam o movimento é que a categoria é muito pulverizada e cada motorista funciona como uma “empresa”, o que dificulta o consenso das decisões tomadas pelos líderes.

Qual foi o acordo proposto pelo governo?

No acordo fechado com os líderes, o governo federal propôs o congelamento do preço do litro do diesel, para os próximos 30 dias, no valor de R$ 2,10.

A Petrobrás, no entanto, seguirá sua política de reajustar os preços na refinaria seguindo o mercado internacional e o câmbio. Passados 15 dias, se for fixado um preço superior aos R$ 2,10, a diferença será bancada pelo caixa da União.

A expectativa era que a greve dos caminhoneiros fosse suspensa por 15 dias. A realidade, no entanto, é que os protestos continuaram e a paralisação entrou no seu quinto dia.

O que os caminhoneiros querem exatamente?

A principal exigência é a redução de impostos sobre o diesel. Os caminhoneiros reivindicam a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e que seja baixada para zero a alíquota de PIS/Pasep e Cofins.

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Quais os reflexos ainda gerados pela greve?

Os reflexos, principalmente do desabastecimento de combustível, são diversos e sentidos em todo o País. Em São Paulo, 100% dos postos estão sem gasolina e etanol. A coleta de lixo na capital paulista foi suspensa. Neste fim de semana, as empresas de ônibus rodam com apenas 50% da frota. 

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A prefeitura de Campinas, terceira maior cidade do Estado, decretou situação de emergência pública, obrigando empresas que comercializam combustíveis a assegurar prioridade para atendimento de serviços públicos essenciais. Os efeitos da greve dos caminhoneiros também afetou o transporte coletivo em diversas cidades do interior.

Ao menos 11 universidades públicas suspenderam parcial ou totalmente as atividades acadêmicas e administrativas. O Exame da OAB, que deveria ser aplicado em todos os Estados brasileiros no domingo, 27, também foi suspenso.

Aeroportos também estão enfrentando dificuldades com a falta de abastecimento. Em Brasília, 40 voos foram cancelados neste sábado. Nos últimos dias, apenas dez caminhões chegaram ao aeroporto, todos sob escolta policial. Em média, o terminal recebe 20 caminhões por dia para abastecimento. Em todo o País, pelo menos doze terminais sofrem com desabastecimento.

Outra repercussão da greve dos caminhoneiros atingiu o valor de mercado da Petrobrás. Depois de Pedro Parente anunciar o congelamento e redução do preço do diesel em 10% para responder aos protestos, as ações da empresa fecharam na quinta-feira, 24, com recuo de 13,71% (PN) e 14,55% (ON).  Com a queda, a Petrobras perdeu R$ 47,2 bilhões em valor de mercado em um só dia.

Greve dos Caminhoneiros AO VIVO

Acompanhe aqui outras notícias sobre a greve dos caminhoneiros minuto a minuto.

 

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